The Great American Songbook (V) – My Funny Valentine

by manuel margarido

A 26 dias do acto eleitoral, depois do debate que melhor clarificou posições, as coisas crispam-se e entram no terreno do ataque pessoal. Agora vale tudo e surgem abertamente na ofensiva as mulheres desta campanha – Michelle Obama, Sarah Palin & Cindy McCain (apontamento claramente sexista e politicamente incorrecto, que faço questão de sublinhar ser voluntário, e suspeito que de concordância íntima de muito boa gente). Em entrevista a Larry King, Michelle Obama pauta-se pela polidez estratégica que norteia a campanha do marido. Mas não evita algumas farpas, sendo a maior de todas a jogada da superioridade moral face à consorte de McCain: «sabe, aperto-lhe a mão», ou seja, ‘olhe, a Cindy é uma cabra rica e malcriada, mas está em campanha e eu faço o favor de ser melhor que ela’. Michelle falava na sequência das declarações de Cindy McCain ao Tennessean, imediatamente a seguir ao debate, afirmando que Obama «is running the dirtiest campaign in American history». Bem… a senhora tem idade para se lembrar do Richard Milhous. Por seu lado, Sarah Palin, aquela que, do Alasca vê a Rússia e, portanto, o mundo, partiu para o ataque em forma, acusando Obama de «palling around with terrorists who would target their own country.». Referia-se à ‘pista’ William Ayers, que não leva a lado nenhum, mas que já hoje foi de novo utilizada pela campanha republicana. Amores e ódios andam à solta, neste ticket eleitoral, que é também conjugal.

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My Funny Valentine. Em 1937 a dupla Rodgers & Hart escrevia o musical Babes in Arms. Outros tempos, outras guerras. Dele surgiu este standard, um clássico que mais de 600 artistas se atreveram a enfrentar, com resultados variáveis. A escolha de hoje recai num monstro do jazz, gigantesco no improviso, exemplar no respeito e na admiração pelo melhor do Great American Songbook. Keith Jarrett. Uma interpretação memorável.

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