AMARAL, Ana Luísa, Minha Senhora de Quê, Fora do Texto, Coimbra, 1990, reed. Lisboa, Quetzal, 1999
[poema 'pilhado' no blogue Poesia & Lda., de João Luís Barreto Guimarães e Jorge Sousa Braga, com análise textual da autoria de Barreto Guimarães. Como aqui não é hábito 'pilhar', pede-se indulgência e agradece-se muito]
Inda agora passam oitenta e pouco minutos deste dia e este dia já o ganhei. «A Phala», essa informal e humilde invenção de Manuel Hermínio Monteiro, folha de amor à poesia e à literatura toda, que nos alentou durante anos, volta agora (após um número encadernado, único, aqui já referido) em formato digital. Antigamente distribuía-se de amigo em amigo, ia-se buscar à livraria do Terminal (valha-me deus!). Agora, está ao alcance de um clique. Bem-vinda, regressada «Phala». Uma vez sem exemplo, dela se copia um bocadinho. Para alvoroço da gente e matança de saudades de um futuro a muitas vozes.
Os Poemas de Melville
In Documenta Poetica on 6 06UTC Julho 06UTC 2009 at 12:09
Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.
Eugénio de Andrade
A selecção de poemas de Herman Melville foi elaborada a partir de três livros seus: Battle-Pieces and Aspects of the War, de 1866, John Marr and Other Sailors, de 1888, e Timoleon, Etc., de 1891. Excluí desta selecção Clarel — A Poem and a Pilgrimage in the Holy Land, de 1876, devido à extensão dos poemas que compõem as diferentes secções. Idêntica opção foi seguida relativamente à escolha dos poemas dos livros aqui antologiados, cuja extensão, em particular a dos monólogos dramáticos, tornaria inviável uma perspectiva prismática da sua poesia. A opção pelos poemas mais curtos é, aliás, corroborada pelos estudiosos de Melville que neles reconhecem os instantes mais relevantes da sua obra. Entre estes poemas tentei seleccionar aqueles que melhor transmitem a sua sensibilidade estética e as suas recorrências tópicas. A edição escolhida em língua inglesa foi The Poems of Herman Melville (The Kent State University Press, 2000), organizada por Douglas Robillard.
Um derradeiro aspecto: tradução ou versão? O próprio Douglas Robillard admite quão difícil era, para o contemporâneo de Melville, ler os seus poemas. Os jogos prosódicos, as interferências do Middle-English (meetly em «A exumação do Hermes», por exemplo), ou do anglo-saxónico (em «O Prenúncio», por exemplo, weird, é adaptado do anglo-saxão wyrd, estranho), a sistemática convocação de vocábulos náuticos, de jargão científico (em «O icebergue», por exemplo, needle-ice é um fenómeno de congelamento), coexistindo e/ou dialogando com referências a divertimentos ou jogos (ainda em «O icebergue» a referência a jack-straw), as rimas, os jogos intertextuais, de difícil compreensão para quem não esteja familiarizido com o conjunto da sua obra narrativa e poética, os ecos biográficos, perceptíveis apenas ao conhecedor das suas circunstâncias biográficas, as enigmáticas elisões (veja-se o título de «Lamento de C______»), faziam dele, no século XIX, um poeta difícil. Não menos o será hoje. Talvez por tudo isto não sei se aquilo que apresento são traduções ou versões dos seus poemas; talvez sejam apenas versões, versões feitas por quem há trinta anos tem vindo a sentir um intenso fascínio pela obra deste escritor maior. Um fascínio e um apelo que Eugénio de Andrade tão bem sintetizou.
Algures na década de 1930, um ensaísta americano considerou que era tempo de descobrir a obra poética de Herman Melville. Este é o meu modesto contributo nesse sentido para os leitores de língua portuguesa.
Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.» Eugénio de Andrade[nota: o artigo continua, com uma introdução à edição dos Poemas de Melville, da autoria de Mário Avelar, e uma escorreita cronologia. Mas esta é apenas uma das phalas desta primeira edição, não numerada, de 6 de Junho].
Sim, o coreto do Jardim da Estrela, o meu coreto de puto! Aquele onde tocavam as gloriosas Bandas da GNR e da Carris, para minha muito proveitosa instrução musical. Uma falta de respeito tão insultuosa… que espero ver gente pendurada nas árvores. É que, isto sim, isto é uma okupação. Óptima ocupação para Sábado, dia 11, em Lisboa.
'Só falta a banda da Carris'
(clique para ampliar)
Programa da Okupação:
16h – 16h30 : Kumpania Algazarra (começam no Coreto, tocam pelo Jardim e voltam e, se quiserem, podem fechar a okupação)
16h30 – 17h : Puzzle
17h – 17h30 : Stack em Blues
17h30 – 18h : Lula Pena
18h – 18h30 : Leituras : João Pacheco, Miguel Manso, E. M. Melo e Castro e Cyombra
(sugestão: acompanhamento musical pelo Fernando Dinis e Reymundo)
18h30 – 19h : Babilónia Reduzida
19h – 19h30 : Jorge Ferraz
19h30 – 20h : Fernando Dinis (piano) e Reymundo (acordeão)
20h – 20h30 : Tramas
20h30 – 21h : Pedro e Diana
21h – 21h30 : Leituras : Luís Testa, Alice Valente Alves, Miguel Cardoso e Rui Antunes
(a sugestão continua válida, assim como para todos os outros músicos participantes)
21h30 – 22h : Paulo Condessa e Afonso Azevedo
22h – 22h30 : Apetite Mor
22h30 – 23h : Guto Pires
23h – 23h30 : Ventilan
23h30 – 24h : Samuel Úria e Amigos
Não se fará aqui nota biográfica de Erik Satie (1866 – 1925), cujas ligações enciclopédicas (wikipedia) em língua inglesa e francesa são suficientes para se poder ter uma ideia geral da iconoclastia, vanguardismo e concomitante ostracismo a que foi votado o compositor em tumultuosa vida, esmagado pela sombra de Ravel e de Debussy. Estimadíssima haveria de ser, com o tempo, a sua música. Dá-se conta, isso sim, da obra escrita que deixou, a partir de «fragmentos» publicados na revista S.I.M. (Societé Internationale de Musique), com o delicioso título «Memória de um Amnésico», felizmente publicada em língua portuguesa (e provavelmente esgotada). Fica, então, um fragmento de um «fragmento», escrito em 1918. Impagável.
VIII
ELOGIO DOS CRÍTICOS
Não escolhi este tema por acaso, escolhi-o por me sentir reconhecido. Porque estou, de facto, tão reconhecido como reconhecível.
O ano passado fiz várias conferências sobre «A Inteligência e da Musicalidade nos Animais».
Hoje vou falar-vos «Da Inteligência e da Musicalidade nos Críticos». O tema é quase o mesmo mas com modificações, bem entendido.
Amigos meus disseram-me que era um tema ingrato. Ingrato, porquê? Não há nele ingratidão nenhuma; pelo menos, eu não vejo onde nos agarrarmos para dizer isso. Vou pois fazer, sereno, o elogio dos críticos.
Não conhecemos suficientemente os críticos; ignoramos o que fizeram, o que são capazes de fazer. Numa palavra, são tão desconhecidos como os animais, embora tenham, como eles, a sua utilidade. Sim.
Não são apenas os criadores da Arte Crítica, que é Mestra de Todas as Artes, mas os primeiros pensadores do mundo, os livres pensadores mundanos se assim podemos chamar-lhes.
De resto, foi um crítico quem posou para o Pensador de Rodin. Eu soube-o há quinze dias, o máximo três semanas, por um crítico. O que me deu prazer, muito prazer. Rodin tinha um fraco, um grande fraco pelos críticos… Os seus conselhos eram-lhe caros, muito caros, demasiado caros, acima de qualquer preço.
Há três espécies de críticos: os importantes; os que são menos; os que não são nada. As duas últimas espécies não existem: são todos importantes…
*
SATIE, Erik, Memória de um Amnésico, Selecção, tradução, cronologia e notas de Alberto Nunes Sampaio, ‘colecção memória do abismo’, Hiena, Lisboa, 1992.
Poema escolhido no livro Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia, de Casimiro de Brito, autor de vasta e variada obra, na belíssima edição da Limiar (com direcção editorial de Egito Gonçalves e gráfica de Armando Alves). Poemas direitos ao amor erótico, ao canto do corpo, do outro. Do outro corpo. Poemas onde a distância se mede. E é o verdadeiro tema.
XXXVIII
A luz que me dás, esquiva e dura,
serve-me de abrigo onde desfeito
é já o meu cansaço. Halo escuro
a luz dói – perdição incerta
de um pobre e calcinado coração
que sabe de amor
o que batalhas são.
BRITO, Casimiro de, Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia, Colecção “Os Olhos da Memória”, n.º 75, 1.ª edição, Limiar, Porto, 1997.
Em Junho, a tradição cumpre-se: os homens enxotam os cavalos selvagens das montanhas, cercam-nos na planície, dominam-nos, cortam-lhe um pouco de crina, marcam-nos com um ferro que os identifica como animais selvagens de montanha. Por um momento, homens e animais reúnem-se num encontro íntimo, violento, catártico. Pode não se achar graça nenhuma a isto, claro. Mas este ritual, tão antigo como a Galiza, já era descrito por Estrabão há cerca de 2.000 anos. Para assim se ter mantido, ao longo de milénios, alguma importância muito primordial o percorre.
Por unanimidade, o Congresso dos E.U.A. acaba de aprovar uma resolução histórica, face a uma reparação que era, no caldo cultural americano, fracturante: formalizou um pedido de desculpas pela responsabilidade histórica que permitiu a escravatura durante dois séculos e meio. Faz, contudo, questão de sublinhar que esta resolução não dará qualquer caminho legal a pedidos de indemnização e de reparação de qualquer natureza. Está certo. O Vaticano também pediu desculpa pela perseguição a Galileu 500 anos depois. E por cá? E se alguém se lembra de transformar o esclavagismo praticado pelos portugueses numa questão ingente? A mim, o assunto parece-me urgente; tão urgente como a Moção de Censura apresentada pelo CDS/PP esta semana.
É irrelevante eu ser republicano, assunto que nem me preocupa por aí além. A verdade é que nunca gostei muito do hino nacional, o nosso, o da República. Nem da música, nem da letra (especialmente da letra, concordo com o António Alçada Baptista que, num 10 de Junho, propôs que a mesma fosse mudada, que se mandassem os canhões borda fora, para escândalo das alminhas). Depois de declarada esta heresia, deparei, por acaso, com o hino – monárquico e cartista – que vigorou até à implantação da República. Garanto-vos que, depois de ler a letra, que aqui deixo, o épico texto de Henrique Lopes de Mendonça me parece Shakespeare! Mesmo sem ouvir a música! Realmente…!
Hymno da Carta – Hino Monárquico (1834-1911)
1.
Ó Pátria, Ó Rei, Ó Povo,
Ama a tua Religião
Observa e guarda sempre
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição
2.
Ó com quanto desafogo
Na comum agitação
Dá vigor às almas todas
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição
3.
Venturosos nós seremos
Em perfeita união
Tendo sempre em vista todos
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição
4.
A verdade não se ofusca
O Rei não se engana, não,
Proclamemos Portugueses
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição
Com a saída do seu terceiro número, percebe-se com alguma nitidez que a revista de poesia “criatura” está num ponto em que precisa de um golpe de asa, sob pena de, em breve, ficar num limbo em que autores, linguagens e estéticas se repetem e encerram sobre si, caminho excelente se der origem a um casulo; uma pena se gerar apenas um novelo. Assinala-se a presença de dois autores espanhóis (Ben Clark e Elena Medel), convenientemente traduzidos (colocando uma questão editorial: por que razão se lhes apresenta uma pequena nota biobibliográfica, quando nenhum dos outros autores portugueses a merece? Serão assim tão conhecidos? Inversamente, serão excessivamente modestos por junto?). O conjunto de seis poemas de Luís Filipe Parrado surje, no conjunto, enxuto nos recursos, certeiro na amplitude e com uma contundência desemocionalizada. Luís Filipe Parrado é, aqui, ‘categorizado’ como novo, não pela sua idade, mas no sentido em que, por não ter atingido a sua obra um conhecimento público suficiente notório, não evitamos deixar de o ler com a atenção devida ante a ‘novidade‘.
TEORIA DA NARRATIVA FAMILIAR
Naquele tempo o meu pai trabalhava
por turnos
como herói socialista
no sector siderúrgico
e dormia com a minhamãe.
A minha mãe esfregava
a sarja encardida:
a água ficava da cor da ferrugem.
Havia, por perto, um cão
esgalgado,
sempre a rondar.
Depois a minha irmã nasceu
e eu fui obrigado
a rever a minha mitologia privada do caos.
Entre uma coisa e outra
aprendia mentir.
E isso, não sei se sabem, mudou tudo.
PARRADO, Luís Filipe, criatura n.º 3, p. 119, Abril de 2009
Thomas Schittek - "Columbeira Portugal. S/T. Aguarela sobre Papel. (2008)
(clique para ampliar)
A obra de Thomas Schittek, pintor alemão há muitos anos radicado em Portugal, inscreve-se numa corrente pessoal, que atravessa paralelamente a arte contemporânea, dela se distanciando pela recusa de um discurso meta-referencial, dela se aproximando pelo necessário questionamento da sua leitura. De facto, Thomas Schittek parte de uma metodologia de trabalho onde o fundamento, o desenho, é objecto de sistematização extrema, num registo quase arquivístico, evoluindo para a tela, em diferentes técnicas que utiliza de acordo com os objectivos expressivos pretendidos – pastel, aguarela, óleo sobre tela; e o azulejo, trabalho de fogo que o pintor tão intensamente domina, não se limitando à pintura, mas operando todo o processo da sua produção artesanal.
É nesta relação com a primordialidade que se pode encontrar uma das possibilidades de leitura da obra deste artista plástico. Tendo como grelha fundadora um universo de referências clássico – os elementos naturalistas, a paisagem, a figuração, Schittek aproxima-se, lentamente (e em toda a obra do autor a lentidão tem um carácter determinante) dos elementos formais mais elementares, num processo ‘regressivo’ em que a geometrização básica, o cromatismo e a coloratura nos transportam para o domínio da fruição da infância, e convidam ao mais primitivo dos olhares: aquele que, maravilhando-se, se interroga.
Estamos claramente no território do prazer de quem cria transportado para o desafio do prazer de quem se apropria. Pintura solar, portanto, mesmo quando atravessada por períodos de tonalidades mais obscuras. Pintura (e azulejaria) de um artista que, num movimento tão característico na história da arte, descobre no Sul os fundamentos da sua obra. Não por acaso, em Schittek dominam as temáticas relacionadas com o mar, a terra, o sol, recorrentemente utilizando o grande formato. Para uma criança também uma folha de papel é enorme. Progressivamente, o pintor tem-se aproximado de uma figuração mais definida, num percurso de uma coerência alegremente sacudida pela capacidade de reformulação e exploração constantes. De novo o pintor revela até que ponto se permite regressar a uma possível infância.
Situamo-nos, em consequência, perante uma obra marcada pela procura, não conceptualizada mas ‘encontrada’, de um tempo. O tempo de ser feliz. Movimentando-se num campo de linguagem pictórica muito mais amplo que os contemporâneos, fundado na tradição e possuindo o desejo de espanto característico dos modernos, a obra de Thomas Schittek gera espontaneamente um desejo primeiro: experimentar ser feliz.
[Um núcleo de obras de Thomas Schittek pode ser apreciado em Lisboa, numa individual de Escultura e Pintura, na Galeria do Hospital de Santa Maria - CHLN]
Thomas Schittek - Columbeira, Portugal. S/T. Óleo sobre tela. (2004)
Da produção lírica camoniana, este soneto teve sempre um lugar próprio e destacado no meu gosto. O enjambement do segundo verso de cada estrofe obriga a uma leitura delicada, atenta ao lugar onde a pausa deve ser feita. O primeiro verso, por exemplo, deve naturalmente ser suspenso na primeira palavra do segundo, Labão. Mas requer uma suspensão subtil, que não faça perder o ritmo do verso de dez sílabas e a fluidez do poema. O tema, claro, é de uma beleza fulgurante. Hoje pode, a justo título, ser entendido como uma apologia da estupidez. Mas é ‘o meu soneto’.
[o soneto foi publicado em em 1595, quinze anos após a provável data da morte do poeta. E é um pretexto muito expressivo para assinalar o 'dia da raça']
Esta foi a minha primeira ‘Eleição’. Em 1975 votava-se pela primeira vez em Portugal em sufrágio democrático directo e universal, a Eleição da Assembleia Constituinte. Exactamente um ano depois do 25 de Abril apresentavam-se ao escrutínio um PS de punho fechado, o que arrebanhou mais votos, um PCP sem medo de mostrar a foice e o martelo (e com grandes expectativas, estrondosamente defraudadas), um PPD que surpreenderia; um CDS ainda ostracizado; e o PPM, reminiscência de correntes que conseguiram sair do Estado Novo com um estatuto democrático aceitável. Ah, e meia-dúzia de partidos à esquerda do PCP que faziam um barulho dos diabos (onde andarão, hoje, os Pupes, os Féque éme-éles?). Este foi o acto eleitoral fundador da nossa democracia representativa. A intensidade com que se viveu o dia viria a ter poucos paralelos, ou sequer aproximações, no futuro.
Tinha acabado de fazer 13 anos. Estive à frente da televisão até depois da meia-noite para saber resultados concretos (com o Joaquim Letria imperturbável, rosto perfeito de bonomia, perante tanta ansiedade.) Cheio de inveja do meu entusiasmado pai, que podia votar, acompanhei-o, esperei com ele nas filas imensas de gente que aguardava o seu momento (hoje acompanhei-o de novo, quase o empurrando, não queria, “isto desilude-me”). Hoje acompanhei o meu filho a votar pela primeira vez, com a serenidade e solenidade da sua ‘primeira vez’. E senti, (juro que consegui) um breve golpe da adrenalina. Mesmo sem multidões; mesmo sem filas; mesmo com cidadãos nas mesas de voto que são pagos para prestarem um serviço cívico; mesmo com cidadãos a votar com a expressão de quem ‘fui ali comprar pão e já volto.’
[Nota: a imagem foi retirada, sem pedido de licença e com muito agradecimento, do blogue Pré-História.]
Por estes dias a profissão de tradutor está em destaque em Espanha, com a realização (amanhã) do colóquio Con traducción no hay Pirineos na Feira do Livro de Madrid e do simpósio Traducir Europa, já na segunda-feira, no Instituto Cervantes; em Outubro estará pronto o Libro Blanco de la Traducción. Pretexto para uma entrevista com três dos mais consagrados tradutores espanhóis María Teresa Gallego Urrutia, José Luis López Muñoz e Miguel Sáenz (Larache, que pode ser lida aqui, no El País. Com clareza, falam do principal problema da profissão: o ‘desprezo’ dos editores. Pretexto, igualmente, para deixar aqui o lindíssimo cartaz dos “Premios nacional de traducción” (sic), autoria de Agustin Sciammarella, notável ilustrador espanhol.