São Valentim, o grande embusteiro

by manuel margarido

Raios abrasem o dia de São Valentim! A começar pelo bispo que lhe deu o nome: desde 1969 nem a Igreja Católica o reconhece, à falta de provas credíveis da sua lenda ou mesmo da sua existência. Embirro, porque tenho o Santo António, caso precisasse de um santinho que, por decreto de calendário, me levasse o coração a bater mais estremecido. Que não é o caso, que o coração não precisa de datas, como as datas não têm coração, o meu Banco que o diga. Que do Valentim façam festarola anglo-saxónica a escorrer para o nosso torrão, a pingar para o negócio, é dupla injúria. Meu pobre e desancado coração, que batas ao sabor dos dias, sem hora marcada; meu bom coração constante, pulsa-me aos minutos certos da incerteza; meu coração comovido de taquicardíaca beleza, recorda-te da mais bonita quadra popular que já li, escrita em letras azuis num prato de cerâmica rasca, numa tasca da EN1.

Sino, Coração da aldeia

Coração, Sino da gente

Um a sentir quando bate

O outro a bater quando sente

Perceberás, Valentim, que és detalhe de calendário, cúpido cupido sem préstimo que não seja enlevar basbaques? Pois és.

 (fotografia:«St. Valentine's Legacy», via Deviantart, (D.R.)

(fotografia:«St. Valentine’s Legacy», via Deviantart, (D.R.)