Sócrates e a auto-vitimização

by manuel margarido

A auto-vitimização e desculpabilização como reflexo da desresponsabilização individual – Uma pessoa (…) simpática e afável, mas com uma deflação de auto-estima proporcional a uma autocentração e um egoísmo quase patológicos, elege sempre os outros como bodes expiatórios dos seus problemas, das suas próprias atitudes menos próprias, da sua irresponsabilidade pessoal, transformada, ulteriormente, em atitudes depressivas de auto-desculpabilização e vitimização. (…) Isabel Metello.

No Público online, após ter visto o resumo do debate parlamentar de hoje: “Está em condições de garantir ao Parlamento que não há qualquer interferência nem qualquer condicionamento dos serviços de informações sobre investigações criminais em curso?“, perguntou Paulo Rangel a José Sócrates hoje, no Parlamento. A pergunta é legítima, e colocada em sede própria. O primeiro-ministro qualificou de “insultuosa” a pergunta de Paulo Rangel. “O senhor deputado é que utiliza esses truques e essas tácticas, de quem quer trazer a questão do Freeport, dos serviços de informações para o debate na Assembleia da República. Faço-o frontalmente, faça-o com coragem“. Mais que as palavras, o tom em que falou Sócrates fez-me lembrar (inesperada reminiscência) o meu colega de escola primária que, depois de ter atazanado os colegas no recreio, chegou à aula e fez queixa à professora, perante toda a turma, por ter levado uma canelada. Levou uma palmada. “Queixinhas, vá-se sentar e esteja calado“, disse-lhe a professora.

Receio que os nervos do homem não andem bem. É natural. Representar aquele papel todos os dias deve cansar muito.

'It is an injustice. Yes it is!'

'It is an injustice. Yes it is!'