Poesia Portuguesa (22) – Adília Lopes

by manuel margarido

Este poema conversa comigo, com a voz familiar do quotidiano. Os toques do quartel, os sinos dos Anjos, a Rua José Estêvão, ao pé do D.ª Estefânea, onde a pé passo, a caminho de. Vejo-a às vezes, à Adília Lopes. Olhos fixos no caminho, virados para dentro, um pouco rapariga, um pouco idosa. Palavra de honra se ela não ia a pensar exactamente neste poema, um destes dias de folhas de choupos caídas no chão. É meu vizinho de vida, este poema.

MÚSICA DA RUA JOSÉ ESTÊVÃO, EM LISBOA

O portão do Pátio do Duarte

Os toques do quartel

O sino dos Anjos

Os pardais

As folhas dos choupos

*
Foi bom não me ter casado. Não tenho cabeça para outra cabeça.

Adília Lopes, in Telhados de Vidro, n.º 11, Averno, Lisboa, 2008.

Largo de D.ª Estefânia, Lisboa

Largo de D.ª Estefânia, Lisboa


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