Henrique Fialho. Um adeus contra o esquecimento.

by manuel margarido

O acontecimento que marcou o ‘meu’ Dia Mundial da Poesia foi péssimo. Descobri que, anteontem, Henrique Manuel Bento Fialho terminou os blogues Volumen e Insónia. Assim, de repente, como o Clint Estwood virava costas ao nojo e desaparecia no horizonte. Creio que foi um acto libertador, avaliando o que escreveu na despedida. Aquele que, com inteira liberdade produziu o melhor corpo de crítica literária especificamente no espaço da blogosfera; aquele que, não integrando ‘escolas’, capelas, redacções, entregava uma dose de atenção, aguda sensibilidade e visível amor pela literatura – particularmente pela poesia – não deixaria de tomar uma decisão destas sem uma razão. Henrique Fialho, que  entendia os seus blogues como um espaço de ‘partilha’ esclarece-a: “por que me vou? Porque enjoei, porque já não tenho paciência, porque sim, porque estou cansado, porque tenho mais que fazer, porque me doem as costas, porque está um belo dia lá fora.” Nada a dizer. Apenas agradecer. E pedir ao Henrique Fialho duas simples coisas: que continue a ‘partilhar’ as suas leituras, eventualmente noutros lugares, quando lhe deixarem de doer as costas e os dias estiverem feios; e que não apague nunca os seus blogues. Eles são uma antologia contra o esquecimento.


Farewell, Henrique Fialho…

 © Don Relyea, MONOCHROME / Series / Incident.net / 2007-08

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