As Folhas Ardem

a poesia do mundo. o mundo da poesia. incêndios e queimadas.

Etiqueta: Pietà

Outra Pietá – Jan Saudek

Jan Saudek nasceu em Praga em 1935. Quando muito jovem, ele e um irmão estiveram colocados num campo de concentração nazi e donde só por sorte conseguiram escapar às experiâncias de Josef Mengele. Saudek, que usa a fotografia como forma de expressão, foi um dos primeiros fotógrafos checos a ser conhecido no ocidente, o que lhe valeu a suspeita do governo checo até aos anos 80. As suas fotografias, inicialmente a preto e branco e, mais tarde, a cores, giram em torno da sexualidade e da relação entre homens e mulheres, velhice e juventude, vestuário e nudez. Em geral, adopta uma abordagem antagonista para alcançar poderosos efeitos pictóricos. Sem artifícios, a fotografia de Saudek penetra na plenitude da vida. A sua linguagem directa foi rápida e vivamente aclamada no mundo da arte. (fonte: http://oseculoprodigioso.blogspot.com/, onde pode ser visualizada uma galeria do autor.)

Pietá, Jan Saudek (1997)

Pietá, Jan Saudek (1997)

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Pietá – a minha

Não introduzo elementos de carácter pessoal no blogue. Este é, porém, o primeiro dia de um ano que convoca exigências (raras) no limite da esticada corda das emoções. Por isso não tenho uma fotografia de família. Tenho uma Pietá pessoal (e de Pietá falo, com dolorosa exactidão), de que apenas eu conheço a possibilidade de luz e as linhas de escuridão. Este é, possivelmente, o único post privado que aqui colocarei. Mas tinha de ser e é agora. Sara, minha filha mais nova.

Sara

Sara. Mãe.


Pietá

Por estes dias tropeço em Pietás – seria a Páscoa a altura certa. Envia-me o Alexandre Honrado, escritor, homem de e da rádio, autor do blogue República das Badanas e, como se poderá ver no seu blogue, vocacionado fotógrafo, este detalhe de um cruzeiro manuelino, situado em frente do portal da igreja do Convento de Nossa Senhora da Estrela, já fora das muralhas de Marvão. O cruzeiro tem a particularidade de ter uma dupla representação de cada lado da cruz: num dos lados a Senhora da Piedade e, do outro, Jesus crucificado. É um detalhe do primeiro que aqui se deixa, na sua rudeza invocando a dor, da Senhora da Piedade se trata, de uma Pietá tão talhada como talhadas são as mães que abraçam os filhos mortos.

Cruzeiro em Marvão. Nª. Srª. da Piedade (detalhe). © Alexandre Honrado

Cruzeiro em Marvão. Nª. Srª. da Piedade (detalhe). © Alexandre Honrado

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Piotr Kowalik

Conheci o trabalho de Piotr Kowalik (n. Lublin, Polónia) na capa dupla da Periférica (nº 13, primavera de 2005), penúltima edição de uma revista de boa memória. A impressão que me causou foi tremenda, acentuada pela visita ao site do fotógrafo e por troca de imagens e impressões com amigos (actualmente os seus melhores trabalhos podem ser vistos noutros lugares). As séries The Cross We Choose to Bare (da qual faz parte esta magnífica ‘Pietà’) e Hope evocam no plano formal a pintura de Caravaggio e a sua intensa carga dramática, obtida por uma paleta cromática fulgurante, e por um jogo único entre o claro/escuro. Também no domínio da composição se entreviam pontes delicadas. Fiquei admirador. Hoje está bastante comprometido com trabalhos de ‘encomenda’. Em perda criativa. Ora uma coisa não teria de levar à outra.

The Cross We Choose to Bare - Release At Last My Love.

The Cross We Choose to Bare - Release At Last My Love.