As Folhas Ardem

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Etiqueta: Luís Quintais

Correntes d’Escritas — «Sondagem As Folhas Ardem»: Vote na sua obra preferida.

© Câmara Municipal da Póvoa do Varzim (D.R.)

O Prémio Literário Casino da Póvoa, este ano atribuído à poesia, será anunciado dia 23 de Fevereiro, no âmbito do evento Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, notável e corajosa iniciativa da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, evento de crescente e muito assinalável importância na dinamização do conhecimento e do contacto entre os leitores, os autores, as obras. Justíssima a lista pré-seleccionada, sendo o prémio atribuído por um júri respeitável: Almeida Faria, Carlos Vaz Marques, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e valter hugo mãe.

Como é referido na página das Correntes d’Escritas, «Esta selecção resultou de cerca de 150 obras concorrentes de autores de língua portuguesa, castelhana e hispânica, com obras em português, editadas em Portugal (1ª Edição) entre Julho de 2008 e Junho de 2010. Ficaram excluídas as Obras Póstumas, Obras Completas e Compilações e Obras de Literatura Infanto-Juvenil. Também não foram admitidas a concurso obras de autores que tenham sido galardoados com o Prémio Literário Casino da Póvoa nos últimos seis anos. Recorde-se que este Prémio tem um valor de 20 mil euros e este ano distingue poesia. (…) A 22 de Fevereiro, dia anterior ao arranque da 12ª edição do Correntes d’Escritas, o júri reúne pela última vez para decidir qual o vencedor do prémio, decisão que será anunciada no dia 23, na sessão pública de abertura do Encontro. O prémio é entregue no dia 26, na sessão de encerramento.»

*

Lamentavelmente não fazemos todos parte do júri. Por isso, decidiu por unanimidade o conselho de administração deste blogue (1 voto a favor/0 contra), proporcionar a quem quiser a possibilidade de votar na sua obra preferida.

Algumas indicações e notas:

1 — Cada votante pode exprimir a sua preferência apenas uma vez e assinalar três (3) obras;

2 — O termo da votação expira no próprio dia 23 de Fevereiro, data em que o júri (oficial) anuncia o prémio (oficial);

3 — As obras estão alinhadas por ordem alfabética;

4 — Não há um prémio para os votantes; isto não é uma sondagem para acertar no vencedor;

5 — Pede-se a quem votar e/ou tomar conhecimento da iniciativa, que a divulgue. No final das contas,  dez ou vinte votantes já serão uma manifestação impressionante;

6 — O objectivo desta «sondagem» é apenas um: divulgar o evento e, de passagem, estimular o conhecimento das obras e do trabalho dos autores a concurso. Não tem apoio, incentivo, nem é do conhecimento oficial de entidades organizadoras, de qualquer instituição, editora, autor ou seja de quem for.

 

Dito isto, toca a votar nas obras de que gosta mais!

Correntes d’Escritas — Prémio Literário Casino da Póvoa

«Sondagem As Folhas Ardem»

Links relacionados:

Página do «Correntes d’Escritas» no site da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim

Luís Quintais – Riscava a Palavra Dor No Quadro Negro

Poema do novo livro de Luís Quintais, Riscava a Palavra Dor No Quadro Negro.

O que podemos projectar

que não seja o desenho

do nosso futuro incompleto?

Tudo é revisitação nessa caixa escura

onde células se movem e se escutam

mutuamente, como se esperassem

por um acontecimento primeiro,

uma revelação atenta do sangue

e do plasma, da música que te fez cego

e que trouxe as enumerações do sensível,

a evidência de uma cor extrema queimando

os signos e a gramática desenhada.

O que podemos projectar agora?

Quintais, Luís, Riscava a Palavra Dor No Quadro Negro, Lisboa: Livros Cotovia, 2010

«Thinking», The Muse of Smutty Yaoi, via Deviantart

Luís Quintais – “O Mundo como Representação”


O MUNDO COMO REPRESENTAÇÃO

“O mundo é a minha representação.”

Que tipo de imagem

eclode na mente

quando, de noite, um cão uiva,

como se a sua carne

não fosse carne da sua carne,

mas um véu espesso

que cobre a dor

e a torna mais intensa?

Uma janela abre-se de par em par,

e eu persigo os sulcos e a ira

desse cão mirífico,

desse cão que existe algures

para lá do ver.

A noite que ignorei torna-se visível,

mas não a ira, a ira absoluta do cão,

ainda que os meus olhos

ceguem numa exasperante vontade

de luz.

QUINTAIS, Luís, “Duelo”, Lisboa: Livros Cotovia, 2004.

Francisco Goya, "Perro semihundido" (detalhe) - Museu do Prado (d.r.)