As Folhas Ardem

a poesia do mundo. o mundo da poesia. incêndios e queimadas.

Etiqueta: Lua

A Índia na Lua (2)

Ao ler fragmentos acessíveis dos livros hindus antigos, como o mais antigo deles, o Rig Veda, o ‘Livro dos Hinos’, não  é possível deixar de se sentir a vigorosa aventura humana perante o extraordinário arco civilizacional que se completa com a missão da Índia à Lua. Leia-se este ‘hino’ à criação do mundo, escrito cerca de 1200 a.C..

TAPAS, O CALOR CÓSMICO

1.    Ordem e verdade nasceram do calor quando este explodiu.

Daqui nasceu a noite; desse calor nasceu o oceano encapelado.

2.    Do oceano encapelado nasceu o ano, que ordena dias e noites, governando sobre

tudo o que pestaneja.

3. O Ordenador colocou em lugar devido o sol e a lua, o céu e a terra, a dimensão intermédia do espaço,

e por fim a luz do sol.

Tradução: Manuel João Magalhães, in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o futuro, p.36, Assírio & Alvim, Lisboa, Agosto de 2001.

Advertisement

A Índia na Lua (1)

«Cesse tudo o que a Musa antiga canta,

Que outro valor mais alto se alevanta»

Isto escrevia Camões n’ Os Lusíadas. Pois cesse o incensar da viagem do Gama desbravando a rota da Índia. Posto que esta nação, este quase sub-continente, acaba de iniciar a jornada (não tripulada, é certo) do caminho celeste para a Lua (já descoberto, também é certo). A Índia, com 1.150 milhões de habitantes (arredondando, já se vê), detentora do 4º maior Produto Interno Bruto do mundo o qual, quando dividido per capita, tomba fragorosamente para 165º (num raro exemplo de equidade na distribuição da riqueza) foi, repete-se, à Lua. Talvez para deixar o Paquistão roído de inveja. Talvez para se distrair dos problemas que enfrenta no trivial mundo terreno. Onde largos milhões lutam todos os dias para desbravar o rumo impossível para alcançar a sobrevivência.

'tás com a cabeça na Lua?'

'tás com a cabeça na Lua?'

Damcherra, India: Labourers manouvre a pontoon of bamboo to market using the current of a river
Photograph: Bapi Roy Choudhury/AFP