As Folhas Ardem

a poesia do mundo. o mundo da poesia. incêndios e queimadas.

Categoria: Mundo

Parlamentarismo

Membros do Kuomitang, partido no poder em Taiwan, tentam impedir um deputado da oposição de subir ao pódio parlamentar e usar da palavra. As partes oponentes lutavam sobre uma Emenda a um Acto governamental local, com um dos elementos envolvidos na discussão a queixar-se de ter sido mordido.

O parlamentarismo na ilha tem, nos últimos anos, sido tão entusiástico como a sua capacidade exportadora. E calor humano não lhes falta.

(imaginemos, por um segundo, o Dr. Aguiar Branco às cavalitas, para botar discurso; e o Dr. Portas a queixar-se de uma trincadela; e o Dr. Louçã de uma canelada. Por menos o Dr. Cavaco dissolvia. Ai isso dissolvia)

[fotografia do incontornável The First Post, datada de 19/1. Clique para ampliar]

© The First Post (d.r.)

A Rapa das Bestas, Galiza

Em Junho, a tradição cumpre-se: os homens enxotam os cavalos selvagens das montanhas, cercam-nos na planície, dominam-nos, cortam-lhe um pouco de crina, marcam-nos com um ferro que os identifica como animais selvagens de montanha. Por um momento, homens e animais reúnem-se num encontro íntimo, violento, catártico. Pode não se achar graça nenhuma a isto, claro. Mas este ritual, tão antigo como a Galiza, já era descrito por Estrabão há cerca de 2.000 anos. Para assim se ter mantido, ao longo de milénios, alguma importância muito primordial o percorre.

 

Aqui pode ler-se mais sobre a Rapa das Bestas. Se se pesquisar (o ‘Google images’, por exemplo), compreende-se melhor a visceralidade da coisa.

 

A Rapa das Bestas em Mougas, Galiza

A Rapa das Bestas em Mougas, Galiza

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Uma questão fracturante?

Por unanimidade, o Congresso dos E.U.A. acaba de aprovar uma resolução histórica, face a uma reparação que era, no caldo cultural americano, fracturante: formalizou um pedido de desculpas pela responsabilidade histórica que permitiu a escravatura durante dois séculos e meio. Faz, contudo, questão de sublinhar que esta resolução não dará qualquer caminho legal a pedidos de indemnização e de reparação de qualquer natureza. Está certo. O Vaticano também pediu desculpa pela perseguição a Galileu 500 anos depois. E por cá? E se alguém se lembra de transformar o esclavagismo praticado pelos portugueses numa questão ingente? A mim, o assunto parece-me urgente; tão urgente como a Moção de Censura apresentada pelo CDS/PP esta semana.

"Portuguese Slave" © Smithsonian Institution

"Portuguese Slave" © Smithsonian Institution


Guiné-Bissau – golpe de Estado?

Lembram-se do sonho de Amilcar Cabral? Lembra-se da clivagem, quase instantânea, entre os cabo-verdianos e os guineenses após a independência? Na pobreza, Cabo-Verde foi traçando um rumo; na pobreza, a Guiné-Bissau deixou-se aprisionar pelos seus ‘demónios’: uma sociedade multiétnica, multi-cultural, com enormes diversidades religiosas, linguísticas, sociológicas. Em comum, uma cultura guerreira ancestral, que os portugueses experimentaram na carne (era declaradamente o teatro de guerra já perdido, quando se deu o 25 de Abril). Sem uma estratégia unificada, sujeita aos cabos de guerra, às alianças de ocasião com o Senegal, a Guiné-Conacry, absolutamente dependente do apoio externo, incapaz de organizar um aparelho de Estado mínimo, à Guiné-Bissau estava guardada a última das armadilhas: ser plataforma de tráfico massivo de droga (os colombianos passeiam-se em Bissau como os cowboys no antigo Oeste). Esta circunstância excitou ambições, desvendou cobiças e fez as armas sairem dos quarteis, das aldeias, das casas. Neste momento mata-se na Guiné- Bissau. Esta madrugada foram cinco, entre eles um antigo primeiro-ministro, um antigo ministro da Defesa e um candidato presidencial. Mata-se para alcançar ou manter o poder. Um poder espúrio, é certo. Mas lucrativo. Se eu fosse um guineense decente – ou corajosamente cobarde, emigrava já. Para um lugar mais civilizado. Para Nápoles, por exemplo.

© RTP [D.R.]

© RTP

Manter o inimigo à vista

“Uma das maiores subtilezas da arte militar é nunca levar o inimigo ao desespero” – Montaigne


Em Rafah, militantes do Hamas observam o discurso de Barack Obama, ontem, no Cairo.

Em Rafah, militantes do Hamas observam o discurso de Barack Obama, ontem, no Cairo.

Dia Mundial da Criança… pois.

'dados de 2007'

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Acredito em poucas coisas: nos direitos humanos; na liberdade individual, política, religiosa e económica; na rule of law e na bondade intrínseca; no património ambiental que nos foi legado; na ars, gratia artis, em especial na poética que nos foi deixada pelos homens. E acredito nas crianças. Dito isto, acho obscena a existência de um “Dia Mundial da Criança”. Serve para quê? Para nos lembrar, a um de Junho, o que ignoramos o resto do ano? Assinala o quê? As causas directas (pobreza, fome, doenças) que matam 25.000 crianças por dia (oito dezenas (80!), enquanto fumo um cigarro)? A hipocrisia e inutilidade destas coisas deixa-me ligeiramente nauseado.

"Não posso comemorar. Estou a trabalhar numa mina de safiras, no Madagáscar. Gostaram do filme?" © Roberto Schmidt/AFP/Getty Images

'Não posso celebrar. Estou a trabalhar numa mina de safiras, no Madagáscar. Gostaram do filme?' © Roberto Schmidt/AFP/Getty Images

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Isto é uma bomba atómica…

Gráfico do sismo provocado pelo teste nuclear na Coreia do Norte,dia 25, registado pela Agência Meteorológica do Japão.

© Photo: Yuriko Nakao, 'The First Post

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Energias renováveis – a insustentável leveza de as ter

Qual será o gasto em combustíveis fósseis para fabricar uma ‘elegância’ destas?
A man is dwarfed by a wind turbine blade at the Whitelee Windfarm near Eaglesham, East Renfrewshire, in Scotland. © Photo: David Moir

A man is dwarfed by a wind turbine blade at the Whitelee Windfarm near Eaglesham, East Renfrewshire, in Scotland. © Photo: David Moir, 'The First Post'

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As ideias e o dinheiro

Enquanto o Governo Federal dos E.U.A. injecta ‘ziliões’ na indústria automóvel, há quem apresente ideias. Que tal investir dinheiro apenas se houver ideias?

i-REAL, 'concept car' da Toyota, apresentado na Auto Shanghai 2009.

i-REAL, 'concept car' da Toyota, apresentado na Auto Shangai 2009.

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Lula culpa brancos de olhos azuis pela crise

Emigrar para o Brasil? Estas declarações do Presidente da República Federativa do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva são racistas.

Acho que vou emigrar para a Sicília…



Muros

Pode evocar-se Berlim. Gaza. Muros de escândalo. Reflexos da fria racionalidade política que revela o rosto da intolerância, a face do medo do ‘outro’. Em Democracia a intolerância não é um valor. O medo não é uma resposta. E contudo… E contudo esta fotografia mostra um veículo a alisar a areia para tornar mais visíveis as pegadas humanas de quem ouse atravessar esta nova secção da “vedação flutuante EUA-México“. Triste nome retórico. Uma retórica ‘Democrática’. A perder de vista.

The First Post © David McNew/Getty Images

The First Post © David McNew/Getty Images

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W. Bush e o fim do ‘Bushismo’

Duas guerras irremediáveis (Iraque e Afeganistão), um desastre natural escandalosamente ignorado (o furacão Katrina) e uma implosão económica global depois, George W. Bush (Dubya, para os amigos) iniciou uma campanha de despedida da Casa Branca com o objectivo de deixar atrás de si a imagem de um presidente guiado por um ‘conservadorismo com compaixão’. O mesmo é dizer que, desdobrando-se em entrevistas na televisão, na imprensa, em encontros e eventos, W. está a procura de formar uma imagem final da sua pessoa que o retire do vil lugar em que se encontra nos índices de popularidade de um Presidente em fim de mandato: é o primeiro dos últimos. Sim, Bush começou a falar de si, acto que, confessa, lhe é penoso (para a generalidade dos analistas também). Nas recentes entrevistas e encontros mantidos, W., em perfeito estado de negação, admite ter cometido erros. Para, logo em seguida os desvalorizar. Em artigo no Washington Post contam-se as facécias da campanha para fazer do homem alguém que possa ficar na História com uma imagem minimamente potável. Como se pode ler, é um esforço em vão.

Dois excertos extraordinários e um ‘Bushismo’ final, para aguçar o apetite:

He has admitted to a few previously unacknowledged errors, telling one interviewer that he was “unprepared for war” when he entered office and that his “biggest regret” was the failure of intelligence leading up to the Iraq invasion.

He portrayed Iraq as “a powerful example of a moderate, prosperous, free nation.

I mean, people literally lining the roads in Tanzania, all waving and anxious to express their love and appreciation to the American president who represents the American people,” Bush said. “It was good to see them all waving with all five fingers, I might add.

Palavra de honra, o homem existe.

'O Iraque? É assim uma espécie de Suiça...'

'O Iraque? É assim uma espécie de Suíça...'

David contra Golias

Na terra onde David derrotou Golias, jovens palestinianos usam fundas para lançarem pedras contra polícias fronteiriços israelitas, durante um protesto contra a construção de uma controversa barreira na povoação de Nilin, West Bank, Ramallah. Cíclica, a história repete-se. Reifica a mitologia. Mas, hoje, David está do lado contrário. Estará?

'somos mais corajosos que os bombistas suicidas'

'somos mais corajosos que os bombistas suicidas'

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Agarrar a terra

O mapa que se mostra aqui representa a aquisição de terra entre países à escala global (grab, em inglês, tem um sentido mais rude e adequado que ‘aquisição’, estando mais conotado com agarrar, com ‘pôr as garras em’). Nele pode observar-se os Estados (incluindo as suas empresas privadas) detentores de terra fora das suas fronteiras e aqueles onde eles a compram. O movimento de compra de terra estrangeira em larga escala tem-se acelerado bruscamente nos últimos anos. O motivo é, quase invariavelmente, o mesmo: a produção alimentar.

Os círculos vazios representam os países compradores; os círculos cheios representam os países onde a terra foi comprada. Nota adicional: Portugal Continental tem aproximadamente 9.230.000 hectares de superfície.

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Obama – A vitória pós-racial

A vitória de Barack Obama não significa que a América ultrapassou a questão racial. Confirma que ela já estava ultrapassada. Obama não superou a questão étnica. Revelou que ela passou a ser secundária. Ele é o primeiro presidente americano pós-étnico.

As alterações sociológicas ocorridas nos Estados Unidos na última década são mais expressivas na vitória do candidato Democrata, se analisadas qualitativamente, que a avaliação quantitativa do impressionante resultado eleitoral. Quem votou maioritariamente em Barack Obama? Os seguintes grupos sociais: ‘menos de 45 anos’; ‘negros’; ‘hispânicos’; ‘independentes’; ‘moderados’; ‘maiores rendimentos’; ‘mulheres’; ‘mulheres brancas’ (há sondagens para todos os filtros!). Em que grupos perdeu?  Nos ‘homens brancos’ (por pouco, sendo que nunca algum candidato Democrata ganhou este grupo); ‘idosos’; ‘cristãos evangélicos’; ‘conservadores’, ou seja, a base mais profunda do partido Republicano. Talvez não seja possível, a partir de agora, falar em ‘estados vermelhos’ (R), ‘azuis’ (D) e ‘swinging states’. Há já quem fale em ‘purple states’.

O Colorado é um caso paradigmático. Tradicionalmente um sólido bastião republicano, deu a vitória a Obama. Pelo seu carisma? É possível. Mas, na última década, estabeleceram-se sólidas comunidades cosmopolitas em Denver, Boulder, Aspen e um pouco por todo o território. A população é constituída por 75% de brancos. So what? Este é o terceiro estado com maior crescimento populacional, em grande parte graças à migração da Califórnia (para fugir aos impostos) e à emigração, sobretudo hispânica.

Provavelmente a grande mudança política prometida por Barack Obama, o seu lema traduzido numa única palavra – change – já se dera no plano das mentalidades. Só faltava um catalisador. Nesse sentido, Barack Obama foi o homem certo num tempo histórico maduro para a sua mensagem. Talvez Obama tenha vencido tanto pela ‘questão Economia’ como pelas mutações sociológicas. Talvez o clamoroso fracasso de dois mandatos de George W. Bush seja o resultado inevitável de uma visão de um mundo que já é outro. E é esse mundo outro que vai exigir ao novo presidente um desígnio homérico: dar corpo aos seus sonhos.

'E agora? Grande sarilho!'

'E agora? Grande sarilho!'

República Democrática do Congo

Provavelmente jamais ocorreu um massacre como este em África!

(clique aqui para ler, para procurar perceber o inconcebível)

Aproveitando uma paragem nos combates, dezenas de pessoas a pé, ou em moto-táxis, retornam a casa, ao norte de Goma, após terem chegado às portas da cidade no início da semana. © AFP/WALTER ASTRADA

Warsaw, Missouri

Timothy Garton Ash, notável cronista, escritor e pensador político contemporâneo (com a vantagem acrescida de escrever imaculadamente) publica ontem uma excepcional crónica a partir desta localidade (Warsaw, Missouri) no meio da América, onde a ‘grande questão’, aquela que as sondagens nunca conseguirão prever porque se esconde no mais íntimo de cada um, está bem viva na memória dos seus 2.000 e poucos habitantes: o racismo. Garton Ash não tece juízos de valor. Ouve as histórias das pessoas, lê os sinais. Simpatiza mesmo com as gentes e a paisagem. E coloca as questões que importam.  A memória; a história; os ressentimentos; os sentimentos que já não deste tempo mas são do tempo das pessoas concretas. Um artigo a não perder – até por revelar um episódio curioso: a intensidade desta campanha é tanta que um juiz do Ohio decidiu que os homeless podem registar-se como votantes dando como morada um banco de jardim.

Warsaw, Missouri

em Warsaw

A Índia na Lua (2)

Ao ler fragmentos acessíveis dos livros hindus antigos, como o mais antigo deles, o Rig Veda, o ‘Livro dos Hinos’, não  é possível deixar de se sentir a vigorosa aventura humana perante o extraordinário arco civilizacional que se completa com a missão da Índia à Lua. Leia-se este ‘hino’ à criação do mundo, escrito cerca de 1200 a.C..

TAPAS, O CALOR CÓSMICO

1.    Ordem e verdade nasceram do calor quando este explodiu.

Daqui nasceu a noite; desse calor nasceu o oceano encapelado.

2.    Do oceano encapelado nasceu o ano, que ordena dias e noites, governando sobre

tudo o que pestaneja.

3. O Ordenador colocou em lugar devido o sol e a lua, o céu e a terra, a dimensão intermédia do espaço,

e por fim a luz do sol.

Tradução: Manuel João Magalhães, in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o futuro, p.36, Assírio & Alvim, Lisboa, Agosto de 2001.

A Índia na Lua (1)

«Cesse tudo o que a Musa antiga canta,

Que outro valor mais alto se alevanta»

Isto escrevia Camões n’ Os Lusíadas. Pois cesse o incensar da viagem do Gama desbravando a rota da Índia. Posto que esta nação, este quase sub-continente, acaba de iniciar a jornada (não tripulada, é certo) do caminho celeste para a Lua (já descoberto, também é certo). A Índia, com 1.150 milhões de habitantes (arredondando, já se vê), detentora do 4º maior Produto Interno Bruto do mundo o qual, quando dividido per capita, tomba fragorosamente para 165º (num raro exemplo de equidade na distribuição da riqueza) foi, repete-se, à Lua. Talvez para deixar o Paquistão roído de inveja. Talvez para se distrair dos problemas que enfrenta no trivial mundo terreno. Onde largos milhões lutam todos os dias para desbravar o rumo impossível para alcançar a sobrevivência.

'tás com a cabeça na Lua?'

'tás com a cabeça na Lua?'

Damcherra, India: Labourers manouvre a pontoon of bamboo to market using the current of a river
Photograph: Bapi Roy Choudhury/AFP

Hu Jia, Prémio Sakharov 2008

O Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento 2008 foi atribuído ao activista político chinês Hu Jia, pelo Parlamento Europeu. Infelizmente, para todos os que rejubilam com o gesto ‘desassombrado’ do  Parlamento Europeu, órgão que, na sua própria definição «impõe-se como um co-legislador, dispõe de um poder orçamental e desempenha um papel de controlo democrático sobre todas as instâncias europeias.» (na prática, um ‘albergue espanhol’), o Prémio Sakharov atribuído ao corajoso activista dos Direitos Humanos chinês significa pouco mais que um gesto de retórica diplomática. Na prática, a China já tinha enviado a sua ‘mensagem’ ao condenar Hu Jia a três anos e meio de prisão pelo delito de “incitamento à subversão do poder do Estado”. Uma pena excepcionalmente branda para o país em causa e a natureza do ‘crime’. A mensagem era simples, para quem a quisesse entender: “Não se metam com as nossas questões internas e nós não damos um tiro na nuca ao sr. Jia”. Estávamos na véspera dos Jogos Olímpicos de Pequim e toda a gente que interessava entendeu. O Parlamento Europeu também. Com o Prémio Sakharov, a Europa está a transmitir, de igual forma, à China, o seguinte: “A União Europeia não vai tomar qualquer medida séria que prejudique as relações com a China a propósito dos Direitos Humanos. Atribuimos o Prémio Sakharov, via PE, toda a gente fica de consciência tranquila, podemos mostrar cara lavada para consumo interno – nós, os europeus, paladinos dos Direitos Humanos – e não se fala mais no assunto.” Os Chineses entenderam. Sabem quais são os objectivos em jogo. O comércio, a fluidez do crédito, o investimento externo. Gabam-se os elementos do PE de não ter cedido às pressões chinesas para que o Prémio não fosse atribuído. E a generalidade acredita. Não percebe que as ‘pressões’ fazem parte deste jogo florentino. Sem elas, a entente implícita em todo este jogo ficaria ainda mais exposta.

(P.S.) – A quem louva o Parlamento Europeu por ter tido a coragem que a Academia Nobel não teve, não concedendo o Prémio Nobel da Paz de 2008 a Hu Jia, gostaria de recordar que o corajoso chinês nunca foi responsável por nenhuma guerra nem serviu de bandeira a interesses de ocasião. Era, por isso inelegível).

Hu Jia, Prémio Sakharov 2008

Hu Jia, Prémio Sakharov 2008