As Folhas Ardem

a poesia do mundo. o mundo da poesia. incêndios e queimadas.

Ângelo de Lima — EDD’ORA ADDIO… MIA SOAVE!…

fac-símile digitalizado do poema impresso (Biblioteca Nacional Digital)

 

Aos meus Amigos d’Orpheu

 

— Mia Soave… — Ave?!… — Alméa?!…

— Mariposa Azual… — Transe!…

Que d’Alado Lidar, Canse…

— Dorta em Paz… — Trespasse Idéa!…

 

— Do Occaso pela Epopéa…

Dorto… Stringe… o Corpo Enlace…

Vae A’Campa… — Ave!… — Alméa!…

 

— Não doi Por Ti Meu Peito…

— Não Choro no Orar Cicio…

— Em Profano… — Edd’Ora… Eleito!…

 

— Balsame — a Campa — o Rocio

Que Cahe sobre o Ultimo Leito!…

— Mi’Soave!… Edd’ora Addio!…

 

Ângelo de Lima, Poemas in Orpheu 2 (adoptou-se, no post, a transcrição ortográfica original do poema).


capa do livro «Ângelo de Lima, Poemas in Orpheu 2 e outros escritos»

(clique para ampliar)

Ângelo de Lima no portal da D-GLB

link para o sítio da Biblioteca Nacional Digital, que permite a descarga da «Orpheu» digitalizada

Golgona Anghel — Podia fazer um bocadinho mais de esforço

 

Podia fazer um bocadinho mais de esforço,

sei lá: deixar de ser essa clepsidra cheia de neve.

Gosto da sua pose clássica,

de peitos nus debruçados sobre um futuro académico,

livros raros e bibliotecas nacionais;

mas fazia bem em tirar de vez em quando

a gravata e o chapéu,

subscrevo e recomendo, eu.

 

Você sabe, gosto de coisas triviais, sou o seu cão banal,

colecciono cabelos

nas folhas de um herbário sentimental,

sou vítima do seu produto interno bruto, objecto

em série da maneira como segura no volante,

eu imundo e encharcado,

eu a sustentabilidade da segurança social,

analfabeto, pedreiro da Lena Construções. Lda.

 

Eu fácil eu farto eu fome

com a vida marcada na pele,

 

olha-me de frente

quando gritas e esticas a pernoca.

Quem manda aqui sou eu.

Agora abre a boca.

 

Golgona Anghel, Vim porque me pagavam, Lisboa: Mariposa Azual, 2012.

 

 

«Svefn g englar II», Katarzyna Kędroń, via Deviantart (D.R.)

 

 

Golgona Anghel no site da editora Mariposa Azual