Luiza Neto Jorge — Venho de dentro, abriu-se a porta…

by manuel margarido

 

Venho de dentro, abriu-se a porta:

nem todas as horas do dia e da noite

me darão para olhar de nascente

a poente e pelo meio as ilhas.

 

Há um jogo de relâmpagos sobre o mundo

de só imaginá-la a luz fulmina-me,

na outra face ainda é sombra.

 

Banhos de sol

nas primeiras areias da manhã

Mansidões na pele e do labirinto só

a convulsa circunvolução do corpo.

 

Luiza Neto Jorge, A Lume, Lisboa: Assírio & Alvim, 1989

 

«time», Magda Kołakowska, © Magda Kołakowska, via Deviantart (D.R.)

Luiza Neto Jorge no portal da D-GLB

Luiza Neto Jorge na página da revista Relâmpago