Herberto Helder — LEVANTO as mãos e o vento levanta-se nelas.
LEVANTO as mãos e o vento levanta-se nelas.
Rosas ascendem do coração trançado
das madeiras.
As caudas dos pavões como uma obra astronómica.
E o quarto alagado pelos espelhos
dentro. Ou um espaço cereal que se exalta.
Escondo a cara. A voz fica cheia de artérias.
E eu levanto as mãos defendendo a leveza do talento
contra o terror que o arrebata. Os olhos contra
as artes do fogo.
Defendendo a minha morte contra o êxtase das imagens.
Helder, Herberto, Ofício Cantante, Lisboa: Assírio & Alvim 2009

fotografia: «7_Troco de oliveira recolhido em Santa Bárbara de Nexe. Museu de Faro. 2005» — Duarte Belo
• Herberto Helder no site da DGLB
• Site do fotógrafo Duarte Belo
