Maria Sousa — «se para um corpo a insónia»

by manuel margarido

Maria de Sousa, editora, juntamente com Nuno Abrantes, da revista online de artes e letras a sul de nenhum norte, apresenta-se, na referida revista, de forma peculiar: «Maria Sousa é uma lebre que é uma Alice e gosta de passar as tardes no café Santa Cruz a ler e a escrever.  Gosta de revistas e já participou em algumas (Criatura, Sítio, Umbigo, Saudade). Escreveu Exercícios  para  endurecimento de lágrimas (Língua  Morta, 2010) mas ainda chora quando ouve a Lhasa e o Tom Waits. Não gosta de dar aulas e quando for grande quer ser livreira.»

Resta dizer que é uma das novas autoras de poesia de que mais gosto; e que o blogue da Maria Sousa é maravilhoso sendo, diversamente, uma notável obra de amor (e elevada fasquia qualitativa) a revista que edita, da qual já saíram 3 números. Do terceiro se retirou este poema.

 

 

se para um corpo a insónia
é uma palavra de olhos abertos

quando os dias ficam mais curtos
preparo o quarto para o rigor do inverno

não se trata de um vazio mas
de um lugar preparado para
todas as palavras que ficaram nas rugas

 

Maria Sousa in, «a sul de nenhum norte» n.º 3

 

«falling red», Paty Sanchez © Paty Sanchez, via Deviantart (D.R.)

   blogue da revista «a sul de nenhum norte»

   blogue da autora, «there’s only 1 alice»

  blogue das «Edições Língua Morta»