12 Março 2011 — as «folhas» do Porto

by manuel margarido

 

 

Muitas coisas funcionaram bem na organização da manifestação de 12 de Março /2011. A começar pela poderosa adesão à mesma; a forma pacífica como tudo correu; pela pluralidade, diversidade e também o ânimo ordeiro e mesmo festivo, quando se clamavam assuntos tão sérios. Movimento inorgânico? Necessariamente, nesta fase. A continuidade que está a ser dada a um movimento que começou informalmente indicia que, possivelmente, da fase de pura manifestação se poderá esperar uma passagem à organização. Mais tarde virá a representação (dentro ou fora do espectro partidário existente, as dinâmicas possíveis são muitas).

Uma verdade é incontornável: aquela que parecia uma geração perdida ou esquecida da coisa pública demonstrou cristalinamente que o país ganhou muito: um novo património de participação cívica e política — de que os portugueses se tinham afastando gradualmente.

A organização informal do Porto não se limitou a entregar à Assembleia da República todas as folhas — mais ou menos reivindicativas, imaginativas, imensamente díspares mas por isso mesmo muito interessantes, — que os participantes levaram individualmente. No seu blogue faz uma análise sumária das principais causas que levaram as pessoas à rua; e criou um link onde podemos ver, uma a uma, digitalizadas, todas as folhas entregues no Porto. Uma viagem esclarecedora — e também deliciosa de criatividade — ao desconforto dos portugueses.

 

 

folha A4 entregue na manifestação 12/3, no Porto