Filipa Leal — Douro

by manuel margarido

 

 

Douro

 

Não sei se prefiro o rio

ou o seu reflexo nas janelas espelhadas.

 

De um lado

os barcos ancorados, do outro lado:

barcos — na imediata memória das âncoras.

Deste lado, o porto, ou o cais,

contracenando com a sua própria inexistência

daquele lado.

 

Existirá aquele rio nos espelhos?

Poderá este subsistir sem as janelas?

 

Sou dourada como os peixes que te

desabitaram. E, do outro lado, sou

desabitada.

 

Leal, Filipa, Talvez os Lírios Compreendam, Porto: Cadernos do Campo Alegre / 8, 2004

 

«Como a querer esconder-se», Rui Vaz Ribeiro © Rui Vaz Ribeiro, (D.R.)

 

Links Relacionados:

Nota biográfica de Filipa Leal (no site da Deriva)

Rui Vaz Ribeiro

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