Helder Moura Pereira – Espera

by manuel margarido

 

 

 

Quebram na janela exposta folhas vivas

e três ou quatro ouriços de castanheiros.

O mundo desenrola-se sobre a azinhaga

que conduz a umas casas vagas, cascas

de nozes, barcos na poça de água, o silêncio

de inexistentes crianças, apenas os nossos nomes

musicais se assemelham, nuns gritos,

ao bulício que podia fazer disto uma terra

viva. Partes pedra. Amarela e riscada

de linhas prateadas, paralelas, mais perto

da rocha que do pó, pedra de delimitar

caminhos, pedra forte. Já te mostrei este poema

e a tarde foi-se, hei-de um dia esperar por ti

como quem espera pelas palavras, ou seja,

sem esperar delas absolutamente nada.

Helder Moura Pereira → via blogue O Sol Quando Nasce, 11 de Novembro de 2010.

(‘reposta-se’ o poema sem pedido prévio ao autor. A não existência de referência a protecção dos direitos do mesmo não justifica o acto. Há impulsos que, porém…)

«waiting for autumn», alexandru1988 © alexandru1988, via Deviantart

 

Links Relacionados:

Helder Moura Pereira

Blogue do autor (O Sol Quando Nasce)

Artigo de Eduardo Pitta no Público (via blogue «Da Literatura)

Fotografia