António Feijó – Anacreôntica

by manuel margarido

Respigado da selecção de Maria Alzira Seixo no livro da colecção Os Poemas da minha Vida, editada pelo jornal Público, este soneto de António Feijó, que valerá o que nele se conseguir encontrar e gostar. Muito encontra, na breve mas incisiva nota de leitura, Maria Alzira Seixo (que pode ser lida no final do poema).

ANACREÔNTICA


Teu rosto é como

Um róseo pomo

Que eu só desejo

Morder num beijo


Último tomo

De amor que eu domo

Enquanto almejo

O grato ensejo…


O afecto que

Me enchera de

Paixão fatal


Vê com ardor

Teu belo cor-

po escultural!

Feijó, António, in Maria Alzira Seixo – Os Poemas da Minha Vida, Lisboa: Público – Comunicação Social, S.A., 2005.

«Anacréon», Eugène Guillaume, Musée d'Orsay (d.r.)

(nota de leitura de Maria Alzira Seixo)

[Uma fase decisiva para o conhecimento da poesia é a que encontra as antologias de Líricas Portuguesas, da Editora Portugália, nas suas quatro séries, organizadas por José Régio, Cabral do Nascimento, Jorge de Sena e António Ramos Rosa. Uma possibilidade de experiência única para o leitor de poesia. Os pórticos das antologias são momentos privilegiados, e a segunda série abre com este inesperado poema do autor das Bailatas. A sua metrificação rara e a quebra do verso, então pouco usual, comunicam um erotismo directo e algo irónico, estecticista e distante, que como que confunde o corpo do amante com o corpo do poema.] – Maria Alzira Seixo.

Ligações relacionadas:

António Feijó (nota biográfica e alguns poemas do autor)

Maria Alzira Seixo