Luiza Neto Jorge – A Magnólia

by manuel margarido

A MAGNÓLIA

A exaltação do mínimo,

e o magnífico relâmpago

do acontecimento mestre

restituem a forma

o meu resplendor.


Um diminuto berço me acolhe

onde a palavra se elide

na matéria — na metáfora —

necessária, e leve, a cada um

onde se ecoa e resvala.


A magnólia,

o som que se desenvolve nela

quando pronunciada,

é um exaltado aroma

perdido na tempestade,


um mínimo ente magnífico

desfolhando relâmpagos

sobre mim.

Jorge, Luiza Neto, in A Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro, 3.ª edição, Lisboa: Assírio & Alvim, 2001.


Claude Monet, «Nymphéas» (detalhe de tela da série com o mesmo nome) © Musée de l’Orangerie, Paris (d.r.)

(clique para ampliar em alta resolução)

English translation by Richard Zenith:

Exaltation of the minimal
and the magnificent lightning
of the master event
restore to me my form
my splendor.

A tiny crib cradles me
where the word elides
into matter – into metaphor –
as needed, lightly, wherever
it echoes and slides.

Magnolia,
the sound that swells in it
when pronounced,
is an exalted fragrance
lost in the storm,

a magnificent minimal entity
shedding on me
its leaves of lightning.


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