Valter Hugo Mãe – estou escondido na cor amarga do fim da tarde

by manuel margarido



estou escondido na cor amarga do

fim da tarde. sou castanho e verde no

campo onde um pássaro

caiu. sinto a terra e orgulho

por ter enlouquecido. produzo o corpo

por dentro e sou igual ao que

vejo. suspiro e levanto vento nas

folhas e frio e eco. peço às nuvens

para crescer. passe o sol por cima

dos meus olhos no momento em que o

outono segue à roda do meu tronco e, assim

que me sinta queimado, leve-me o

sol as cores e reste apenas o odor

intenso e o suave jeito dos ninhos ao

relento

mãe, valter hugo, estou escondido na cor amarga do fim da tarde, Porto: Campo das Letras, 2000.

«in my limbo» Martin Stranka © Martin Stranka, via deviantart (d.r.)