Pedro Homem de Melo – Solidão

by manuel margarido

Ó solidão! À noite, quando, estranho,

Vagueio sem destino, pelas ruas,

O mar todo é de pedra… E continuas.

Todo o vento é poeira… E continuas.

A Lua, fria, pesa… E continuas.

Uma hora passa e outra… E continuas.

Nas minhas mãos vazias continuas,

No meu sexo indomável continuas,

Na minha branca insónia continuas,

Paro como quem foge. E continuas.

Chamo por toda a gente. E continuas.

Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.

Invento um verso… E rasgo-o. E continuas.

Eterna, continuas… Mas sei por fim que sou do teu tamanho!

Pedro Homem de Mello

«fading away», Gilad Benari © Gilad Benari, via Deviantart (D.R.)