“A Casa dos Anjos” – Luís Mário Lopes. Ou uma história (in)esperada.

by manuel margarido

a casa agora, o movimento implícito, cores e luzes

Um dia procurei casa e muitas vi e uma houve que me levou a dizer «é esta», sem pensar mais em procura. Tinha um azulejo na porta, um anjo azul. É a minha casa, tanto quanto as casas são nossas. Hoje procurei as chaves do correio e caiu-me um postal ao chão, manuscrito, apanhei-o e li: «Olá desconhecidos, pensei que gostassem de saber que a casa de “A Casa dos Anjos” é a “nossa” casa (agora vossa, em tempos minha). Obrigado por tomarem conta dela. Um abraço. Luís Mário Lopes.»

Podes estar descansado, Luís. Tomei conta da “Casa dos Anjos” sim. Aproveito-lhe a luz toda, o balanço, os espaços inesperados, o céu de Lisboa. Escrevi, escrevo aqui. E trouxe para dentro de portas um anjo verdadeiro, um dos raros que não caem. Obrigado por me teres feito saber, com o nome da peça, o que eu já «sabia».

“A Casa dos Anjos”, de Luís Mário Lopes, no Teatro Aberto

A Casa dos Anjos retrata o percurso de Ana, Eduardo e Maria dos Anjos cujas vidas ficaram para sempre ligadas e se misturaram com os factos, as datas e os nomes que marcaram a história de Portugal, do início do Estado Novo até ao final da década de 1970.

As histórias pessoais das personagens envolvem o espectador e suscitam uma reflexão sobre problemas políticos, culturais e sociais, do passado e do presente.

Trata-se de uma peça, vibrante, poética e comovente, foi distinguida com o Grande Prémio de Teatro Português SPA – Teatro Aberto 2009.


Para ver, até 11 de Julho, de 4ª a sábado pelas 21:30 e aos domingos pelas 16:00. No Teatro Aberto. Lisboa.

Encenação: Ana Nave – Cenário: Rui Francisco; Vídeos – Patrícia Sequeira; Figurinos – Rafaela Mapril; Luz – Melim Teixeira; Sonoplastia – André Lacerda; com: Custódia Gallego, Pedro Laginha, Sandra Barata Belo.

"A Casa dos Anjos"

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