Se isto é um sindicalista…

by manuel margarido

Um tipo lê e pasma.

Para João Proença, Secretário Geral da UGT, a propósito de uma manifestação organizada pela central sindical que dirige, muitos mais manifestantes poderiam ter estado na rua e, se não o fizeram, foi «porque também entendem que neste momento de crise e de dificuldades há que ponderar bem as actuações concretas, se defendem bem ou não os trabalhadores». – lê-se aqui.

Um tipo não domina as subtilezas da lógica sindical de Proença e pergunta se muito mais manifestantes poderiam ter estado na rua num momento de prosperidade, crescimento económico e abundante fartura.

Mas o pensamento elaborado de João Proença vai mais longe: confrontado com a posição de constitucionalistas, entre eles  Vital Moreira e Jorge Miranda que afirmam ser o «caso de João Proença inconstitucional» aludindo ao Código do Trabalho em vigor (estabelece, no artigo 481º, que «é incompatível o exercício de cargos de direcção de associações sindicais com o exercício de quaisquer cargos de direcção em partidos políticos, instituições religiosas ou outras associações relativamente às quais exista conflito de interesses»), Proença, pertencendo à Comissão Política do P.S., desdramatiza airosamente a questão: «a Comissão Política do PS, de que faz parte, diz, «não é um órgão de direcção». «O órgão de direcção do PS é o órgão executivo, o Secretariado Nacional. A Comissão Política do PS emite opiniões». – lê-se aqui.

Um tipo faz um esforço, mas acaba por não perceber, evidentemente por culpa própria, se a Comissão Política do P.S. é uma espécie de «Forum TSF», «Opinião Pública» da SIC Notícias ou uma cervejaria de bairro em noite de bola.

Se isto é um sindicalista…(*)

Um sindicalista de mão cheia

(*) – Não costumo tratar pessoas por “isto”. Para esclarecimento, trata-se de uma citação indirecta, recurso de estilo totalmente despropositado e parvo, referente a «Se isto é um homem» de Primo Levi, um tipo que tinha umas ideias, não tão geniais e requintadas como o caso presente, é certo. Também não é hábito abordar questões ideológicas aqui, o que nem sequer é o caso, por manifesta inexistência de tema.

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