Coisas que só um homem entende

by manuel margarido

Vai-se ouvindo como um aforismo, ou um grave pensamento que pousou. Ou uma verdade feita: «Há coisas que só uma mulher entende». E em escutando a gente acredita, até porque nunca se ouviu alguém dizer o contrário. Embora,

(os emboras não são convenientes, eu sei)

embora, talvez seja frase redutora, que corta pela metade, como quem diz: só há dois géneros, duas sexualidades, sol e chuva. E generalizadora,  que “a mulher” percebe-se  serem todas por igual no “entender” (talvez se devesse dizer sensibilidade), indistinto exército perceptivo. E confusa, que “coisas” é um saco onde cabe muito “entendimento”, se calhar tanto quanto tanto é misterioso e específico isso das “coisas” das mulheres. Porém,

(os poréns não são convenientes, eu sei)

porém, mesmo admitindo que muitos homens poderão não e muitas mulheres poderão sim; mesmo dando inutilmente às “coisas” um nome… apetece-me  por vezes dizer, sem pretensão a aforismo, a verdade feita, sem esperar aceitação:

«Há coisas que só um homem entende».

Forçoso é dar-lhes um nome, reduzir as coisas a coisa. E concreta e objectiva e sólida. E então fica assim:

Por vezes um tipo fica emparedado entre a leveza de ficar e o peso de fugir.


Then i’m radio and then I’m television
I’m afraid of everyone, I’m afraid of everyone
Lay the young blue bodies with the old red violets
I’m afraid of everyone, I’m afraid of everyone


With my kid on my shoulders I try
Not to hurt anybody out loud
But I don’t have the drugs to sort,
I don’t have the drugs to sort it out


I defend my family with my orange umbrella
I’m afraid of everyone, I’m afraid of everyone
With my shiny new starspangled tennis shoes on
I’m afraid of everyone, I’m afraid of everyone


With my kid on my shoulders I try
Not to hurt anybody I like
But I don’t have the drugs to sort,
I don’t have the drugs to sort it out


Your voice has stolen my soul


The National – Afraid of Everyone , “High Violet” (2010)