“Como Desenhar Um Circulo Perfeito”, de Marco Martins.

by manuel margarido

Como desenhar um círculo perfeito, de Marco Martins (cartaz)

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Quando estreou Alice (2005) fascinou-me a capacidade de Marco Martins dar espessura e dimensão a uma história tão “magra”. A brilhante linguagem cinematográfica do autor encarregou-se de criar um filme inesquecível (para o qual muito contribuíram, claro, a soberba interpretação de Nuno Lopes, a banda sonora de Bernardo Sassetti, a direcção de fotografia de Carlos Lopes (Cácá).

Hoje estreia “Como Desenhar Um Circulo Perfeito“, do mesmo realizador. Já não estamos no domínio da disfuncionalidade social/familiar, mas na ruptura dos conceitos família/relação. Histórias limite, histórias no limite, antítese da imagem do “desenho de um círculo perfeito”; ou metáfora (porque a história permite leituras plurais e, ou muito me engano ou vai ser alvo de debate no mais cretino dos terrenos, o da moral). Como diz Marco Martins em excelente entrevista dada hoje a Eurico de Barros, no DN.”Quando estava a escrever o argumento, descobri no YouTube que havia um campeonato mundial de desenho de círculos perfeitos e pareceu-me que seria uma metáfora perfeita e muito forte para a personagem do Guilherme e para sugerir que eles estão presos dentro de um desses círculos.

Sinopse: “Numa velha mansão com traços de uma Lisboa há muito desaparecida, os gémeos Guilherme e Sofia cresceram a partilhar experiências e, aos poucos, vão descobrindo a sua sexualidade. Mas Guilherme, incapaz de lidar com o amor não correspondido da sua irmã e das relações que ela mantém com outros rapazes, acaba por fugir de casa. Refugia-se em casa do pai, que vive isolado, imerso num mundo quase autista. Guilherme descobre então que a vida não cabe num círculo perfeito e volta para casa. Quando os gémeos se reencontram, surge finalmente o amor. De forma íntima e silenciosa, o filme oferece o prazer da exploração dos limites, criando um universo fechado e claustrofóbico, inocente e contagiante na simplicidade das suas emoções. (fonte: http://www.best-cine.com).”

Assinale-se que o argumento é assinado em conjunto pelo realizador e pelo escritor Gonçalo M. Tavares; que a banda sonora continua a contar com Bernardo Sassetti; e que no elenco surgem, para lá dos jovens “actores” protagonistas, gente como Beatriz Batarda e Lourdes Norberto, razões de expectativa, escolhas inteligentes. Refira-se ainda a troca de produtor: de Paulo Branco em Alice, Marco Martins passa a trabalhar com António e Pandora Cunha Telles; e, finalmente, o link para o site oficial do filme, muitíssimo cuidado para o que é norma cá no burgo. E bem bonito.

Isto posto… só falta ir ver o filme.