Regresso – Poesia Portuguesa (39) Ruy Belo

by manuel margarido

Regresso ao blogue, como se o tivesse largado ontem. Regresso empoleirado nos poemas de Ruy Belo.

REGRESSO

Não não mereço esta hora

eu que todo o dia fui habitado por tantas vozes

que exerci o comércio num mercado de palavras

Não mereço este frio este cheiro tudo isto

tão antigo como os meus olhos

talvez mais antigo que os meus olhos

BELO, Ruy, Obra Poética, vol. 1 [Aquele Grande Rio Eufrates], (1.ª Ediç.)  – Presença, Lisboa, 1981.

”]© Duarte Belo [filho do poeta, fotógrafo. Fotografia tomada em casa de Mário Cesariny]