Poesia Portuguesa (38) – Ana Luísa Amaral

by manuel margarido


METAMORFOSES

Faça-se luz

neste mundo profano

que é o meu gabinete

de trabalho:

uma despensa.


As outras dividiam-se

por sótãos,

eu movo-me em despensa

com presunto e arroz,

livros e detergentes.


Que a luz penetre

no meu sótão

mental

do espaço curto


E as folhas de papel

que embalo docemente

transformem o presunto

em carruagem!

AMARAL, Ana Luísa, Minha Senhora de Quê, Fora do Texto, Coimbra, 1990, reed. Lisboa, Quetzal, 1999

[poema ‘pilhado’ no blogue Poesia & Lda., de João Luís Barreto Guimarães e Jorge Sousa Braga, com análise textual da autoria de Barreto Guimarães. Como aqui não é hábito ‘pilhar’, pede-se indulgência e agradece-se muito]

@ Jaime Tiago, Olhares, Fotografia Online

@ Jaime Tiago, Olhares, Fotografia Online