As Folhas Ardem

a poesia do mundo. o mundo da poesia. incêndios e queimadas.

Month: Março, 2009

convite um – ‘Dispersão’, de Nuno Dempster

O lançamento de Dispersão – Poesia Reunida, de Nuno Dempster, já foi referido neste blogue. Chega agora o convite, que se divulga por ser aberto ao público, da apresentação da obra em Lisboa, pelo ‘poeta, romancista e ensaísta’ António Cândido Franco e a leitura de poemas por Sylvie Rocha. Oportunidade para conhecer melhor a obra de um autor que, à margem da ‘nomenclatura’ literária, construiu uma obra sólida e rigorosa, uma autoria que o transporta para o lugar da pertinência poética.

convite-dispersao1

11 de Março, 18h30, Casa Fernando Pessoa

(clique para ampliar)

Pérolas (15) – Poemas de Jesus

Sob palavra de honra, alguém chegou hoje aqui ao blogue por intermédio da seguinte pesquisa:

“Poemas de Jesus”

É altamente discutível, entre os teólogos, que o Cristo soubesse escrever. Os Evangelhos relatam ter na areia traçado umas letras, que logo apagou. Não importa. A fé move montanhas. Também pode mover as almas poéticas.

'O meu Reino por um poema'

'O meu Reino por um poema'

As Asneiras do Magalhães – ‘Gravar-lo e continuar-lo’

Durante algum tempo equacionei a possibilidade de ser um parolo por parola achar a parafrenália mediática e o empenho bacoco do Governo, e de José Sócrates em particular, na proclamação do ‘Magalhães’ como a varinha mágica que colocaria Portugal em geral e a juventude em particular numa nova era de modernidade, saber e progresso (Augusto Santos Silva, esse áugure, o proclamou). A constatação de que a coisa, além de parola, perigosa (leia-se António Barreto) é, ainda por cima, desastrada levou-me a uma irreprimível gargalhada. Uma triste gargalhada. «É o máximo, não é?»

«O Estado esteve na origem e liderou o projecto, mas este não é um programa do Governo, é sim o resultado de uma parceria entre o Estado, a escola, os operadores e as autarquias», avisou José Sócrates, que aproveitou para criticar que se empenha em desvalorizar o computador, considerando que essa é «uma atitude de quem não precisa, porque quem precisa da ajuda do Estado fica satisfeito por finalmente dispor de um programa capaz de responder a dois desafios: melhorar a educação e melhorar os índices de utilização de computadores». (…) O ministro Santos Silva até já fala numa substituição de paradigma: «Os computadores são hoje o que os cadernos, os lápis e as canetas foram e continuam a ser: materiais didácticos». Durante a visita à escola do 1º ciclo em S. Mamede de Infesta, que marcou o arranque do programa e-escolinhas, com a distribuição de 3 mil portáteis, José Sócrates fez questão em entrar em todas as salas de aula, onde os «Magalhães» já estavam a ser utilizados pelas crianças. «Isto é o máximo, não é?», questionava, sempre que os via, procurando auscultar o entusiasmo.

IOL Diário, 23 de Setembro de 2008 (sublinhados meus)

«Da maneira como o Governo aposta na informática, sem qualquer espécie de visão crítica das coisas, se gastasse um quinto do que gasta, em tempo e em recursos, com a leitura, talvez houvesse em Portugal um bocadinho mais de progresso. O Magalhães, nesse sentido, é o maior assassino da leitura em Portugal» (…) «Chegou-se ao ponto de criticar aquilo a que chamaram “cultura livresca”. O que é terrível. É a condenação do livro. Quando o livro é a melhor maneira de transmitir cultura. Ainda é a melhor maneira. A coroa de todo este novo aparelho ideológico que está a governar a escola portuguesa – e noutras partes do mundo – é o Magalhães. Ele foi transformado numa espécie de bezerro de ouro da nova ciência e de uma nova cultura, que, em certo sentido, é a destruição da leitura.»

António Barreto, Revista LER, Março de 2009 (sublinhados meus)

“Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde”

O Festival de asneiras do Magalhães, Expresso online, 7 de Março de 2009

'Circumnavega um ómem u mundo pra ver enchovalhado o nome'

'Circumnavega um ómem u mundo pra ver enchovalhado o seu vom nome'


Man on Wire

“When I see three oranges, I juggle; when I see two towers, I walk.” – Philippe Petit

Life should be lived on the edge“, diz Philippe Petit, no documentário Man on Wire, que relata a aventura sem paralelo deste homem. Atravessar sobre o arame o abismo que separava as Twin Towers. Foi o que fez, em 7 de Agosto de 1974. Uma única pergunta vale a pena colocar, depois de ver o emocionante documentário (vencedor do Oscar de 2009 para a categoria).

Porquê?

A resposta a esta pergunta não existe. Ao contrário dos montanhistas, Petit arriscou incrivelmente a vida porque concebeu o abismo e enunciou a sua possibilidade.

[Em baixo, o trailer do documentário, e a letra de “Bird on a Wire“, de Leonard Cohen. Quem sabe se a motivação de Petit não se encontra inscrita, oblíqua, nas palavras de Cohen?]

Bird On The Wire

Like a bird on the wire,

Like a drunk in a midnight choir

I have tried in my way to be free.

Like a worm on a hook,

Like a knight from some old fashioned book

I have saved all my ribbons for thee.

If i, if I have been unkind,

I hope that you can just let it go by.

If i, if I have been untrue

I hope you know it was never to you.

Like a baby, stillborn,

Like a beast with his horn

I have torn everyone who reached out for me.

But I swear by this song

And by all that I have done wrong

I will make it all up to thee.

I saw a beggar leaning on his wooden crutch,

He said to me, you must not ask for so much.

And a pretty woman leaning in her darkened door,

She cried to me, hey, why not ask for more?


Oh like a bird on the wire,

Like a drunk in a midnight choir

I have tried in my way to be free.

Leonard Cohen

Novos Poetas (37) – Jorge Reis-Sá

Mais uma vez recorro, sem pudor e com gratidão, à preciosa informação de Henrique Fialho, no seu blogue Insónia, para aqui deixar a breve nota biográfica que escreveu a propósito deste autor, de que me fizeram chegar A Palavra no Cimo das Águas, da Campo das Letras, edição esgotada, editora parece que também esgotada para sempre. «Jorge Reis-Sá nasceu em Vila Nova de Famalicão no ano de 1977. Estudou Astronomia e Biologia, dedicando-se posteriormente à edição. É responsável pelas Quasi Edições. Estreou-se na poesia com o livro à memória das pulgas da areia (1999). Tem colaboração dispersa por várias antologias e revistas literárias, tendo sido co-director da revista Apeadeiro. Além de poesia publicou obras de ficção e organizou algumas antologias, entre as quais o volume Anos 90 e Agora – Uma Antologia da Nova Poesia Portuguesa (2001), posteriormente revista e aumentada.»


Pai, a Minha Sombra és Tu


a cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu

Jorge Reis-Sá, in A Palavra no Cimo das Águas, Colecção Campo da Poesia, Campo das Letras, Lisboa, 2000

'Memories of My Father', Jonathan Cox

'Memories of My Father', Jonathan Cox

António Lobo Antunes no Público – o Editorial

Assinalando o seu 19.º aniversário, o Público convidou António Lobo Antunes para assumir as funções de ‘director’ por um dia. Já o havia feito anteriormente, com José Pacheco Pereira, que teve um papel bastante interventivo nessa ‘sua’ edição do jornal. No Público de ontem, além de uma saudável variação formal, sendo a ‘notícia’ de capa o próprio jornal com o sugestivo título Ups! Fizemos asneira, a que se seguem os sub-títulos Inventário das gralhas e disparates dos últimos 19 anos. Um verdadeiro jardim cheio de flores; E nós, também vamos acabar? Não foi esse o destino de tantos jornais em papel?; ainda, em sub-título, É pena que os jornais, como a literatura, sejam uma estrebaria de porta aberta, que nos remete para o Editorial, escrito por Lobo Antunes. É uma crónica magnífica, onde a nostalgia mascara a zanga com o presente. As crónicas em jornal/revista do escritor são, de resto, portadoras de uma perspectiva singular, nas quais é capaz de escrever sobre um bairro como Chelas (por exemplo) fugindo à sociologia, à  retórica moral, ao juízo político, penetrando de forma empática nos meandros da vida, de qualquer vida comum, ou mesmo sórdida, com uma funda capacidade de se colar à pele dos dias dos outros e nela encontrar motivo de deslumbre ou, pelo menos, de funda interrogação. Neste caso, é a pele dos jornais que ele toca, a partir da memória.

Repara-se, já quando se finaliza este post (que foi transcrito) que o Público colocou a crónica de António Lobo Antunes online. Olha, pelo menos não têm a fotografia do Merckx.

Os jornais & eu

Em criança

(e em adolescente, e em adulto)
não havia jornais na minha casa mas havia jornais nas casas da minha família. Na do meu avô paterno lembro-me do Debate, monárquico, impossível de ler porque estava sempre dobrado e com a cinta posta. Na do meu tio Elói, aí sim, abertos, os semanários da sua terra, o Ecos de Pombal e o Notícias de Pombal. Na secção necrológica do Ecos li uma ocasião uma notícia que começava assim: faleceu oportunamente no Brasil o senhor Fulano de Tal, tio do nosso estimado amigo Não Sei Quê Não Sei Quê. Na do meu outro avô, em Nelas, era o Diário de Notícias, que chegava no comboio da meia-noite e trazíamos, de bicicleta, da estação. O meu outro avô, de casaco de linho branco, passava horas a lê-lo na varanda para a serra. Depois do casaco de linho morrer a minha avó substituiu o Diário de Notícias pelo Almanaque da Sãozinha, cheio de milagres da dita, relatados por crentes agradecidos. Num desses prodígios uma senhora contava que, de pobre que era, olhava em lágrimas as panelas vazias do almoço. Veio-lhe a Sãozinha à ideia, rezou com empenho, entrou-lhe de imediato uma lebre pela cozinha dentro, fechou a cozinha, matou a lebre à paulada e regalou-se a comer prodígio divino de cabidela. Confesso que esta dádiva da Sãozinha me fez um bocado de impressão, ao imaginar o assassinato do bicho. Até ao fim da sua vida a pagela da santa dos roedores ocupou um lugar importante no oratório da minha avó: uma adolescente de aspecto virtuoso, cheia de medalhas, que ofereceu a sua existência terrena em troca da conversão dos pais. Jesus fez-lhe a vontade arrebatando-a, estou a citar, ao nosso convívio, e os pais incréus descobriram o Altíssimo que, mesmo através da cabidela e do fricassé, se manifesta à gente, ou não mesmo, de preferência através da cabidela e do fricassé, misturando o Céu com o micro-ondas e os mandamentos com batatinhas salteadas.
Na ideia de entender o interesse do meu outro avô pelo Diário de Notícias comecei a folheá-lo, não era aos quadradinhos e portanto aborreceu-me. Troquei-o por pilhas antigas das Selecções do Reader’s Digest em que achei nacos de prosa fascinantes: “Encontrei o Amor no Hospital Ortopédico”, “Eu Sou o Testículo do João”, “Ao Ficar Cega a Sua Existência Ganhou Sentido”. Mais tarde A Bola e o Record, sobretudo A Bola onde trabalhavam grandes jornalistas
(Carlos Pinhão, Aurélio Márcio, Vítor Serpa, as extraordinárias reportagens da Volta à França de Carlos Miranda que bem mereciam estar reunidas em livro e nada devem às de Antoine Blodin)
e quando esta geração deixou de escrever eu fui deixando de ler. Ao PÚBLICO devo o ter começado a ensaiar prosinhas em forma de crónica graças ao convite de Vicente Jorge Silva, que eu não conhecia e me convidou para o suplemento dos domingos, salvando-me, porque a editora, à época, não pagava, de vender Bordas de Água nas pastelarias ou arrumar automóveis
– Trôça, trôça
na zona do Saldanha, a coçar a magreza com o debrum preto das unhas. Agora não leio jornais: vejo o teletexto, a única coisa, aliás, que vejo na televisão desde que o futebol deixou de ser um desporto, a política uma ocupação digna e a cultura se transformou em banalidades veementes, uma estrebaria de porta aberta em que toda a gente entra, como dizia D. Francisco Manuel de Melo, autor muito do meu afecto. Vejo as capas e as primeiras páginas no quiosque frente ao restaurantezito onde como e passo em frente. As prosinhas do PÚBLICO aparecem hoje na Visão, onde sempre me trataram com extrema delicadeza. Há pouco abri um exemplar e dei com uma tantas frases acerca de mim, estúpidas, desonestas e ignorantes: fiquei curado. É pena que os jornais, como a literatura, sejam uma estrebaria de porta aberta: devia ser reservada aos profissionais sérios, como os nomes de que há pouco falei, e que decerto existem. Conheço alguns. Estes parágrafos para o PÚBLICO são uma homenagem a esses nomes. O que me assusta é o facto de qualquer pessoa estar à mercê de criaturas medíocres, sem possibilidade de rectificar a pulhice. Faleceu oportunamente no Brasil: ao menos o Ecos de Pombal era sincero. A lebre para a esfomeada com fé: ao menos o Almanaque da Sãozinha dava esperança a quem almoça um carioca e um salgado no balcão. Ao ficar cega a sua existência ganhou sentido: ao menos as Selecções do Reader’s Digest animavam os que tropeçam. Se tornar a meter o olho entre páginas e receber sinceridade, esperança e sentido com certeza que lerei. E se o testículo do João for o testículo de António, então, juro, não perco uma sílaba. Desde miúdo que me dá vontade de abrir os brinquedos,  a verificar como funcionam. E tenho um par de tais apêndices de que ignoro o mecanismo e nos quais suspeito
(não estou seguro)
que não existem parafusos nem roscas. Foram um presente dos meus pais e como quase tudo em mim continuam a ser um mistério. Devíamos vir com manual de instruções, como os electrodomésticos.

António Lobo Antunes, Público n.º 6911, 5 de Março 2009

Eddy Merckx. O 'Tour de Carlos Miranda'

Eddy Merckx. O 'Tour' de Carlos Miranda

Michael Ondaatje – O Descascador de Canela

Recupero um poema de Michael Ondaatje que me foi ‘oferecido’ (já traduzido, desconhecendo eu a autoria da tradução). Faz hoje quatro anos. Macio poema de (dos) sentidos.

O Descascador de Canela

Se eu fosse um descascador de canela

deitar-me-ia na tua cama

e deixaria o pó amarelo da casca

na tua almofada.


Os teus seios e os teus ombros cheirariam a canela

nunca mais poderias passar no mercado

sem a profissão dos meus dedos

flutuando por cima de ti. O cego tropeçaria

certo de quem se aproximava

mesmo que tomasses banho

na chuva das calhas, na monção.


Aqui no cimo da coxa

neste macio pasto

vizinho do teu cabelo

ou do sulco

que te divide as costas. Este tornozelo.

Serás conhecida entre os estranhos

como a mulher do descascador de canela.


Só a custo te podia ver

antes do casamento

nunca te toquei

– a tua mãe nariguda, os teus irmãos tão brutos.

Enterrei as minhas mãos

em açafrão, disfarcei-as com

alcatrão de tabaco

ajudei os apicultores a colher o mel…


Uma vez que estávamos a nadar

toquei-te na água

e os nossos corpos permaneceram livres,

podias segurar-me e ser cega de cheiro

Saltaste a margem e disseste


isto é como tu tocas as outras mulheres

a mulher do cortador de relva, a filha do queimador de limão

E procuraste nas tuas mãos

o perfume desaparecido


e soubeste

como é bom

ser a filha do queimador de lima

deixada sem marca

como se lhe tivessem falado no acto do amor

como se ferida sem o prazer de uma cicatriz

Roçaste o teu ventre nas minhas mãos

no ar seco e disseste

sou a mulher do descascador

de canela. Cheira-me.

«cinnamon flavour feelings», Cornel Mosneag © Cornel Mosneag, via Deviantart

Nino Vieira

Foi abatido o último macho de águia-imperial (Aquila adalberti) a nidificar em Portugal.

No Vale do Guadiana. A tiros de caçadeira! A notícia pode ser lida → Aqui.

(Parece que também mataram o Presidente da República da Guiné-Bissau, Bernardo ‘Nino’ Vieira.)

'Adeus...'

'Adeus...'

A Happy Birthday


(ao Joaquim. Mais nove meses que ‘estar vivo’ me acompanhas)

A Happy Birthday

This evening, I sat by an open window

and read till the light was gone and the book

was no more than a part of the darkness.

I could easily have switched on a lamp,

but I wanted to ride this day down into night,

to sit alone and smooth the unreadable page

with the pale gray ghost of my hand.

Ted Kooser, in Delights and Shadows. Copyright © 2004.

Twins, John Mitchell (fractal art)

'Twins', John Mitchell (fractal art)

O Estado da Nação

Respondendo a várias/os leitores que por aqui passeiam e perguntam por que não comento com mais atenção os acontecimentos políticos que vão ocorrendo no “torrão”:

Neste blogue não se discute o estado da nação. O estado da nação é, por definição, indiscutível.

Ou seja, é impossível discuti-lo.

Don Quijote, Pablo Picasso

Don Quijote, Pablo Picasso

Vital Moreira ao P.E. A explicação.

Ao ser indicado como “cabeça-de-lista” do P.S às eleições para o Parlamento Europeu, Vital Moreira confessou-se surpreendido. Não sei porquê.

– O homem tem caução de esquerda, absolutamente conveniente nos dias que correm;

– É uma figura a caminho da aura de ‘senador’, fundamental para fazer pirraça a Manuel Alegre;

– É de Coimbra, como Manuel Alegre;

– É Constitucionalista (de resto brilhante), o que será de elevadíssimo préstimo no albergue espanhol de Estrasburgo;

– Tem muito mais currículo político que Miguel Portas, argumento absolutamente arrasador no momento político actual;

– É de estatura assim para o baixote, podendo desta forma tornar-se, num PE cheio de alemães, escandinavos e espanhóis de maior envergadura, símbolo da nossa idiossincrasia antropomórfica;

– Não é um ‘yes men’ E é um belíssimo parlamentar. No P.E. esse facto conta imensamente… nada.

– Finalmente, é um premonitório, um visionário, nestas coisas da Europa. Em 11 de Julho de 2005, escrevia estes augúrios sobre o referendo da Constituição Europeia, no blogue Causa Nossa. Viu-se.

«Nem tudo corre mal na Europa

Nem por ser esperada deixa de ser menos animadora a aprovação da Constituição europeia no referendo luxemburguês. Trata-se antes de mais de uma vitória pessoal do primeiro-ministro Juncker, que apostou o seu lugar no êxito do referendo. Em segundo lugar, trata-se de uma vitória dos que não se conformaram com o prematuro “enterro” do tratado constitucional por causa dos “chumbos” na França e na Holanda.
Neste momento o tratado já foi aprovado por uma maioria de Estados-membros. E quantos mais o fizerem, melhores condições terão para fazer valer a sua posição quando for do apuramento político que se fizer daqui a um ano sobre o que fazer da Constituição europeia. Nessa altura só terá voz e força quem tiver tomado posição…»

'785 deputados? Eu chego para eles todos!'

'785 deputados? Eu chego para eles todos!'

Publicidade – entre o vivo, o não-vivo e o morto

"entre o vivo, o não-vivo e o morto", n.º 2

"entre o vivo, o não-vivo e o morto", n.º 2

Com um sentimento de irremediável atraso, este post é um anúncio publicitário, não encomendado, evidentemente. Saiu no final do ano passado (o anúncio do lançamento é de 15 de Dezembro, mas sou um incurável distraído) o segundo número da revista entre o vivo, o não-vivo e o morto, editada pelo CEPiA – Centro de Estudos Performativos i Artísticos, associação cultural de Évora, sob a direcção de Paulo Serra. Apresenta-se, assim, no blogue da revista:

«Chega o segundo número da revista entre o vivo, o não-vivo e o morto, e com ele os textos de Fernando Machado Silva, Hugo Milhanas Machado (Prémio Literário José Luis Peixoto 2008), José Manuel Martins, Marta Bernardes, Rui Cancela, Sílvia Ramalho e Vítor Moreira. Uma entrevista a JP Simões conduzida por Gonçalo Frota. E onde todos os textos foram ilustrados por Isotta Dardilli (trabalhos que podem ser visto em www.isotype.it ou www.isottadardilli.com). As páginas centrais vão apresentar o trabalho de Tamara Alves.

Impressa em offset (processo antigo de impressão, que dá uma qualidade e predurância maiores) e desenhada por Isabel Bilro, a entre o vivo, o não-vivo e o morto está disponível por 3,50€ (portes incluídos); para isso basta enviar um e-mail para revista@cepia-web.org

Não possuindo ainda o exemplar deste segundo número, impressionam-me o seu grafismo, da autoria de Isabel Bilro, e as ilustrações de Isotta Dardilli. Pela lista de autores, deverá ser estimulante, esta revista, de resto já comentada pela rigorosa e sempre pertinente leitura de Henrique Fialho, no seu incontornável blogue Volumen.

Isotta Dardilli, Notebook, 2007

Isotta Dardilli, Notebook, 2007