Dia Mundial sem Carne

by manuel margarido

Lá tropeço de novo num dos meus ódios de estimação, os “Dias Mundiais“. Neste caso via o The First Post, um pasquim britânico online sofisticado q.b., reaccionário à quinta casa, e altamente bem feito, com uma edição fotográfica (fotojornalismo) notável. Então não é que, dia 20, deixei escapar o “Dia Mundial sem Carne“? Já não me lembro do que comi (provavelmente sandes a correr, sim, foi isso mesmo), mas o The First Post encarregou-se de me lembrar do assunto. Assunto esse que não teria particular relevo (quase tudo tem direito ao seu dia mundial, e ainda hei-de agitar as massas para criar o Dia Mundial dos Sonhos Bons, eu vos prometo). Não fora esta fotografia.

Alguém me explica por que razão a louvável causa da alimentação vegetariana, tão ‘socialmente correcta’, é aqui, em Madrid, alvo de uma performance pública de repúdio do consumo de carne, em que esta é representada por… mulheres em trajes sumaríssimos e ensanguentadas? Que associação legítima é possível estabelecer entre o consumo de carne e a ‘carne’ de mulheres, servida em tabuleiros para os basbaques e os fotógrafos? Não conseguiram entender a mais óbvia, evidente e acanalhada ligação de sentido, que qualquer ‘tuga’ de crescida unhaca no mindinho, ou ‘señorito de bigote pitillo falangista’ fará imediatamente?

E não entenderam que estão a associar o ‘asco’ da carne ao ‘asco’ do feminino?

"A carne é fraca, eh, eh..." - Tony dos Bifes

"A carne é fraca, eh, eh..." - Tony dos Bifes

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