Dois em um: aproveita-se para relembrar o número zero da revista Índice, já comentada neste blogue, cujo número zero ainda terá exemplares disponíveis. Como são gratuítos, pode sempre tentar pedir-se um exemplar à Mariposa Azual, editora responsável da publicação (esperemos que a Primavera traga o desejado número um); aproveita-se para relembrar Contra a Manhã Burra, o livro de Miguel-Manso, do qual, naquele número zero da Índice, se publicaram dois poemas. Em Setembro do ano passado. Antes de ser ‘descoberto’ pela generalidade dos media de grande circulação. Sobre o autor, igualmente, já se escreveu aqui no blogue.
Dois em um: dois poemas no mesmo post.
PASSAGEM DO AUTOR
a manhã abriu
à primeira
gaivota
decidiu mais uma
vez largar o mundo
tentar a cicatriz litoral do êxito
mar do lado direito do carro
o frio nos dedos agora limpos de tabaco
a primeira luz
mãos oceânicas
seguram o negro volante
amanhecido
pensa
no mais argênteo comércio
do peixe
é dos que choram no cinema
e depois saem dissimulando
o rosto
estrada perdida V © paulO lisboA, Olhares, Fotografia online
RETRATO de ÂNGELO de LIMA
Sílaba quente
No rumo da frase até à sílaba fria
De Ninive
Da cabeça
uma claridade de tijolo nas
cousas do olhar
desde Chu-Si a Kuan-Su
sobre a mesa de jóias eu agradeço
à criança da razão verde
milhões de vezes
a pirâmide inversa até à
coluna eterna do
poeta Ângelo de Lima
acreana queda em estática face
a pose derramada de
mia soave
the FUNERAL © Mark Freedom, Olhares, Fotografia Online