Novos Poetas (39) – Miguel-Manso

by manuel margarido

Dois em um: aproveita-se para relembrar o número zero da revista Índice, já comentada neste blogue, cujo número zero ainda terá exemplares disponíveis. Como são gratuítos, pode sempre tentar pedir-se um exemplar à Mariposa Azual, editora responsável da publicação (esperemos que a Primavera traga o desejado número um); aproveita-se para relembrar Contra a Manhã Burra, o livro de Miguel-Manso, do qual, naquele número zero da Índice, se publicaram dois poemas. Em Setembro do ano passado. Antes de ser ‘descoberto’ pela generalidade dos media de grande circulação. Sobre o autor, igualmente, já se escreveu aqui no blogue.

Dois em um: dois poemas no mesmo post.

PASSAGEM DO AUTOR


a manhã abriu

à primeira

gaivota


decidiu mais uma

vez largar o mundo

tentar a cicatriz litoral do êxito


mar do lado direito do carro

o frio nos dedos agora limpos de tabaco

a primeira luz


mãos oceânicas

seguram o negro volante

amanhecido


pensa

no mais argênteo comércio

do peixe


é dos que choram no cinema

e depois saem dissimulando

o rosto

 estrada perdida V © paulO lisboA, Olhares, Fotografia online

estrada perdida V © paulO lisboA, Olhares, Fotografia online

RETRATO de ÂNGELO de LIMA


Sílaba quente

No rumo da frase até à sílaba fria

De Ninive


Da cabeça

uma claridade de tijolo nas

cousas do olhar


desde Chu-Si a Kuan-Su

sobre a mesa de jóias eu agradeço

à criança da razão verde


milhões de vezes

a pirâmide inversa até à

coluna eterna do


poeta Ângelo de Lima

acreana queda em estática face

a pose derramada de

mia soave

the FUNERAL © Mark Freedom, Olhares, Fotografia Online

the FUNERAL © Mark Freedom, Olhares, Fotografia Online

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