Novos Poetas (38) – Frederico Mira George

by manuel margarido

O nascimento de uma editora dedicada à poesia é um acontecimento. Nesta circunstância, pelo inusitado programa, é um caso. Fora de Mercado, anuncia-se no blogue do seu mentor, Frederico Mira George, no dia 3 de Março passado (lindo dia). Uma Poeira Azul Espalha-se, o primeiro título da ‘casa’, da autoria do próprio editor, é lançado no contexto de um projecto singular: «Com este livro de Frederico Mira George com um desenho de João Lemos, «Uma Poeira Azul Espalha-se», nasce uma nova chancela editorial. A chancela «Fora de Mercado – Editores» publicará exclusivamente poemas para que circulem gratuitamente de mão em mão. Impressos em papel de jornal, com formato de bolso, cada exemplar deve ser lido e passado a outro. Não estarão em livrarias, em supermercados… nada. Podem encontrá-los em cafés, teatros, no bolso de um amigo… enfim, em todo o lado menos nos habituais templos do mercado livreiro.»

Evidentemente, não apanhei ainda nenhum exemplar. Podem ler-se muitos poemas do autor no blogue, e em outros da sua autoria, nomeadamente o já extinto mas ainda online Saudades de Antero, onde encontrei dois estimulantes poemas, numa sequência de 39, intitulados caligafia inexplicável (2007). Quanto ao livro (e às futuras edições da Fora de Mercado), é sair por aí e inventar uma alma condizente com a caça às borboletas.

Nota: excepcionalmente não solicitei autorização prévia ao autor que me permitisse uma publicação consentida destes poemas. Dado estarem acessíveis online (embora num blogue descontinuado), espero que me desculpe o atrevimento.

caligrafia inexplicável

# 16

tenho a boca tão seca.

pensou.

será de não falar.

pensou.

pensou.

pensou.

pensou.

tenho a boca tão seca.

será de pensar.

pensou.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

caligrafia inexplicável

# 15

ser um seixo. um seixo que.

transporta.

em si todos os mares,

todos os milénios, o toque de todos os seres.

um seixo.

que.

contempla.

sem desejar nada, sem movimento.

sem naufrágio, sem ilusão. sem agora.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006 in Saudades de Antero (blogue), onde se pode ler toda a série caligrafia inexplicável.

© Iva Freitas, Olhares, Fotografia Online

© Iva Freitas, Olhares, Fotografia Online