Novos Poetas (37) – Jorge Reis-Sá

by manuel margarido

Mais uma vez recorro, sem pudor e com gratidão, à preciosa informação de Henrique Fialho, no seu blogue Insónia, para aqui deixar a breve nota biográfica que escreveu a propósito deste autor, de que me fizeram chegar A Palavra no Cimo das Águas, da Campo das Letras, edição esgotada, editora parece que também esgotada para sempre. «Jorge Reis-Sá nasceu em Vila Nova de Famalicão no ano de 1977. Estudou Astronomia e Biologia, dedicando-se posteriormente à edição. É responsável pelas Quasi Edições. Estreou-se na poesia com o livro à memória das pulgas da areia (1999). Tem colaboração dispersa por várias antologias e revistas literárias, tendo sido co-director da revista Apeadeiro. Além de poesia publicou obras de ficção e organizou algumas antologias, entre as quais o volume Anos 90 e Agora – Uma Antologia da Nova Poesia Portuguesa (2001), posteriormente revista e aumentada.»


Pai, a Minha Sombra és Tu


a cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu

Jorge Reis-Sá, in A Palavra no Cimo das Águas, Colecção Campo da Poesia, Campo das Letras, Lisboa, 2000

'Memories of My Father', Jonathan Cox

'Memories of My Father', Jonathan Cox