Poesia Portuguesa (24) – Gastão Cruz

by manuel margarido

Fora de tempo (parece ‘estatuto editorial’), aqui se refere que na quarta-feira, dia 11, Gastão Cruz venceu o Prémio Literário Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa, este ano dedicado à poesia. Aqui se deixa um poema do livro a que foi atribuído o galardão, A Moeda do Tempo. E o link para o evento literário, que este ano comemora a sua 10ª Edição, e adquire, na Póvoa de Varzim, uma importância muito significativa no panorama dos eventos literários em Portugal.

NO SOL

Irás achar que foi um erro e foi

um erro, que nada se passou

e na verdade nada acontece nunca

de verdade: a verdade seria


eterna e o acontecido pertence

aos eclipses do tempo precipícios

em que depois da morte ficam vivos,

como se o não estivessem, os momentos


caídos;

foi isso um erro porque nada existe

nem nós, já ao império das vagas

submetidos,


porém na praia oblíqua onde estivemos

permanecer no sol foi tudo o que quisemos


Gastão Cruz, A Moeda do Tempo, Lisboa, Assírio & Alvim, 2006.

Por do Sol Praia Faro © Paulo Alexandre, Olhares, Fotografia Online

Por do Sol Praia Faro © Paulo Alexandre, Olhares, Fotografia Online