Novos Poetas (33) – Miguel-Manso

by manuel margarido

Miguel-Manso (1979) é, para alguns autorizados e credíveis críticos literários, uma das mais interessantes vozes poéticas deste início de século. Afirmou-o António Guerreiro, na escolha de livros editados em 2008 (Actual, Expresso, 27 de Dezembro de 2008), escrevendo: Miguel-Manso, por sua vez, com dois livros publicados este ano (escolhemos o mais recente) é a mais segura revelação no campo da poesia. De igual forma, Henrique Fialho, no incontornável Volumen, havia já feito a leitura de Contra a Manhã Burra (Guerreiro refere Quando Escreve Descalça-se, Trama, 2008). É justamente no blogue da Trama, um local que respira amor pela profissão de livreiro em cada linha, que se recolheu este poema.

verão de canterbury


não há em nenhuma cidade

resposta para tudo


procurei no Verão de

Canterbury

pressionei a campainha de uma porta

com os dedos sujos de morangos


cá fora nada que pudesse dizer

que lá dentro

quem ouvia

ouvia desde Bangalore

que é como quem diz


os poetas sempre afirmaram

que o universo recomeça sempre a

cada dealbar da voz mais

funda uma


onda um desenho de Hokusai

Miguel-Manso, in Contra a Manhã Burra, edição de autor, Maio de 2008

'A Grande Onda' - Hokusai

'A Grande Onda' - Hokusai