e. e. cummings, um poema

by manuel margarido

Retomo o blogue, após uma semana em que o repensei. Nada de especial. Apenas o sentido que fará manter este espaço de prazer pessoal e de partilha com alguma gente que vai lendo, vendo, devolvendo. O poema de e. e. cummings, este poema, ajudou-me a decidir. A tradução que dele fiz não será a melhor que foi feita em língua portuguesa, claro. Terá mesmo uma abordagem do poema pouco ortodoxa.  Mas deu-me alegria suficiente para sentir que vale a pena manter algumas coisas. Bom Ano.


i thank You God for most this amazing
day: for the leaping greenly spirits of trees
and a blue true dream of sky; and for everything
which is natural which is infinite which is yes

(i who have died am alive again today,
and this is the sun’s birthday; this is the birth
day of life and of love and wings: and of the gay
great happening illimitably earth)

how should tasting touching hearing seeing
breathing any -lifted from the no
of all nothing – human merely being
doubt unimaginable You?

(now the ears of my ears awake and
now the eyes of my eyes are opened)

e.e. cummings

agradeço-te Deus por mais este espantoso
dia: pelos saltitantes esverdeados espíritos das árvores
e um azul verdade sonho de céu; e por tudo
que é natural, que é infinito, que é sim

(eu que morri estou hoje de novo vivo
e este é o dia de anos do sol; este é o nascente
dia da vida e do amor e das asas: e do alegre
grande acontecimento ilimitadamente terra)

como poderia saboreando tocando ouvindo lendo
respirando tudo – erguido do não
de todo o nada – humano meramente sendo,
duvidar inimaginável Tu?

(agora os ouvidos dos meus ouvidos despertam e
agora os olhos dos meus olhos estão abertos)

© dolcevita, Olhares, fotografia online

© dolcevita, Olhares, fotografia online