Escola: há lugar para novos criadores?

by manuel margarido

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Desde há muito, senão desde sempre, a Escola resiste às novas expressões artísticas, venerando e valorizando um cânone, enquanto que, paradoxalmente, remete os clássicos para o ostracismo. Da modernidade, a escola filtra apenas o que lhe interessa criando unicamente o homo-automatus capaz, com dificuldade, de escrever um contrato, um requerimento ou um verbete. Os media cumprem o seu papel normalizador e reduzem a Escola a um mapa de fait-divers. A poesia, as expressões plásticas, a música, o teatro tornaram-se corpos estranhos à Escola. Coisas meramente decorativas e ao serviço de actividades de circunstância. Falta-lhe, à escola, fôlego e coerência, irreverência e criatividade. Contra o carácter redutor dos programas, propõe-se, agora mais que nunca, uma acção que vise a criação e uma deriva de liberdade que tenha em conta as capacidades e interesses humanos na Escola. Cidadãos autómatos ou autónomos? A literatura deve ou não fazer-se na escola? E o seu panóptico é a urgência de um hospital de loucos? As bibliotecas escolares são um depósito de livros, professores e outros computadores? Os media como instância de socialização a par da Escola ou contra a Escola? Quem nos salva quanto tudo arde? Há lugar para os novos criadores?

Texto de apresentação/interpelação, enunciando as questões que estão na base do Ciclo sobre o tema ‘Escola: há lugar para novos criadores?‘ (com o qual intitulei o post). Organizado pela Deriva Editores, este Ciclo tem um programa pleno de intervenções que colocam questões nucleares no ensino do Português e no lugar da criatividade e da literatura nas escolas portuguesas. Num tempo em que se assiste a um braço-de ferro entre posições corporativas no domínio do Ensino, as quais parecem não ter solução dado o encapsulamento de posições entre as partes, é bom ver e saber que há quem se preocupe com assuntos de carácter fundador no que respeita à qualidade do ensino. Ou seja: há quem se centre mais em avaliar a essência do que faz do que em ser (ou não ser) bem (ou mal) avaliado. A maior avaliação que um professor pode fazer é interrogar-se.

Informação enviada por Paula Cruz (com comunicação programada no Ciclo), professora do ensino público secundário no bairro do Cerco (Porto), pessoa verdadeiramente apaixonada pela docência (e pela poesia), autora de um ‘não-blogue’ notável pela ruptura que produz, apenas pela sua existência enquanto instrumento operativo, com o ensino funcionalizado,  procurando um envolvimento afectivo entre os alunos, a leitura, a literatura, fazendo da escola, igualmente, um lugar de afectos, num meio particularmente difícil. O referido não-blogue, CercARTE, nas palavras da autora, ‘é o sítio onde vou  tentando deixar alguns tópicos das aulas e partilhar alguns poetas.’ Como se poderá ver, é muito mais que isso.

Aqui se deixam os contactos para inscrição (deriva@derivaeditores.pt ou 225365145) e o Programa.

programa(clique para ampliar)

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