Colóquio/Letras – O novo director, o mail e a ‘farpa’

by manuel margarido

Recebo ontem, às 16h15m, um e-mail enviado por Sara Pais (não tenho o prazer de conhecer), do ‘Serviço de Comunicação’ da Fundação Calouste Gulbenkian, na caixa de correio electrónico deste blogue. Agradeço. Acontece que, por nunca ter dado este endereço à FCG (recebi um e-mail, não um comentário), e estando ele apenas público no blogue, uma de três hipóteses se colocam:

– A FCG dispõe de uma base de dados excepcional, e decidiu fazer um mass-mail à população portuguesa;

– A FCG está muito atenta à blogosfera e deu-se ao trabalho de informar mesmo um blogue de escassa expressão;

– A FCG teve acesso à lista dos subscritores do texto ‘Sentimento de Admiração‘, colocado online por um grupo de admiradores do trabalho de Joana Morais Varela à frente da Colóquio/Letras (texto que subscrevi). Joana Varela contra quem, como recorda Eduardo Pitta, continua a decorrer processo disciplinar (visando despedimento).

Não sei porquê, aposto no último cenário.

E fico com mixed feelings. Por um lado, fosse eu alma burocrata e picuinha, e deveria considerar este mail como spam (correio electrónico não solicitado nem desejado) e a base de dados onde ele consta ilegal (por, como obriga a Lei, não declarar como foi obtido o meu endereço electrónico e não ter um disclaimer para a eventualidade de eu não desejar receber informação do ‘Serviço de Comunicação’ da Fundação Calouste Gulbenkian)

Por outro lado, ele dá conta de notícias sensatas. Afigura-se acertada a escolha de Nuno Júdice, que nem precisaria da caução de um Conselho Editorial presidido por Eduardo Lourenço. Em não precisando, bom é tê-lo.

Mas o que me chateia, e apenas isso, no mail da Fundação Calouste Gulbenkian é a desnecessária ‘farpa’ constante no penúltimo parágrafo. Porque induz a ideia de que a irregularidade temporal na edição da Colóquio/Letras colocava em causa a sua continuidade. É feia e um pouco canhestra esta forma de apoucar o passado. O passado que tem inscrito o nome de Joana Morais Varela.

[Transcrevo o texto integral do e-mail recebido. O sublinhado a azul é meu. Os sublinhados a Bold vinham no e-mail. Curiosamente apenas destacam nomes. Pois. Tudo parece uma questão de nomes. Nomes com peso e estatuto sempre ajudam a apagar outro nome, não é?]

Nuno Júdice é o novo director da Revista Colóquio-Letras, na sequência da decisão do Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian de nomear uma nova direcção e um conselho editorial para a revista, de modo a garantir a sua publicação regular e os compromissos assumidos perante o público e os assinantes.

O conselho editorial da Colóquio-Letras será presidido por Eduardo Lourenço.

A Administração da Fundação Calouste Gulbenkian pretende que a revista continue a ser uma referência no campo literário, o que sucede desde 1971, seguindo os princípios e valores que a nortearam desde a sua criação e orientação por Hernâni Cidade, Jacinto Prado Coelho, David Mourão-Ferreira e Joana Varela.

Tendo em conta que o último número da revista, referente a 2004, foi apresentado em meados de 2007, pretende-se, a partir do início de 2009, retomar a publicação regular da revista, garantindo a sua continuidade.

Nuno Júdice é ensaísta, poeta, ficcionista e professor universitário, tendo desempenhado, em Paris, os cargos de conselheiro cultural da embaixada portuguesa e delegado do Instituto Camões.

(NOTA: por uma questão de ética, enviarei este post, em resposta, a Sara Pais, ‘Departamento de Comunicação’, Fundação Calouste Gulbenkian).

Colóquio/Letras - capa do número duplo 168/169

Colóquio/Letras - capa do número duplo 168/169