Terror na Índia, terrível em Lisboa

by manuel margarido

É possível escrever uma notícia assim? É, foi publicada hoje. É compreensível entender alguma coisa lendo o texto que se transcreve? É, se se tiver uma grande imaginação, ou consultando outros jornais – em papel, online, tanto faz. É provável que, num texto tão curto, existam tantas faltas de concordância de número, erros de sintaxe tão grosseiros, escrita tão atabalhoada? É. No Diário de Notícias é.

Todo o texto constitui, em si mesmo, uma ‘pérola’ (trata-se de uma notícia que dá continuidade à matéria principal, com o título surrealista: “Cérebro do Terror preso no Paquistão“). Pérola esta que adornará os botões de punho de algum gestor bem sucedido, que deve colocar a massa salarial (baixa) de escribas de qualificação rasa acima do interesse, ou da paciência dos leitores. Acontece que, ao contrário do ditado, estes não são porcos.

“Erro de polícia desmascara espião entre terroristas

Índia. Autoridades não acreditaram na história do agente detido

A polícia de Calcutá, Índia, está sob um coro de críticas depois de ter detido e denunciado a identidade de um espião indiano que integrava, sob disfarce, a rede terrorista que conduziu os ataques a Bombaim.

As autoridades prenderam Mukhtar Ahmed por acreditar que ele fornecia os cartões de telemóveis para a Lashkar-e-Taïba. O homem explicou que era um espião ao serviço da polícia indiana de Caxemira que tinha como missão deixar os telefones da organização sob escuta. Mas os polícias não acreditaram e denunciaram-no.

Uma fonte da secreta indiana admitiu à BBC que foi “desperdiçado um grande trunfo” e que se colocou em risco a família do agente.

“Porque é que a polícia haveria de revelar o nome aos media se tinham ordens categóricas para não falarem sobre as investigações do ataque Bombaim? Eles deviam pensar que tinham capturado alguém muito importante e eles queriam publicidade,” disse.

A polícia de Calcutá já admitiu que Mukhtar contou todos os detalhes sobre o seu trabalho mas que só poderá ser libertado após um pedido formal da polícia de Caxemira.

Segundo as autoridades indianas, um dos cartões fornecidos por Mukhtar foi utilizado por um dos terroristas armados no ataque de há duas semanas. O seu nome era Ismail e terá utilizado o telemóvel uma vez antes de ter sido morto pela polícia indiana.”

'O Horror foi aqui. Horrivel é o texto do DN'

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