O Alçada

by manuel margarido

Já passei dos setenta anos e tive uma vida cheia de coisas. Quando estou bem de saúde, tenho um grande enternecimento pela vida que vivi e, como o meu querido Jorge Amado, apetece-me dizer que «a vida me deu mais do que pedi, esperei e mereci». Direi até que esta é uma condição óptima para receber a morte.

António Alçada Baptista, in ‘’A Pesca à Linha – Algumas Memórias’, Editorial Presença, Lisboa, Janeiro de 1998.

Aos 81 anos, morreu o Senhor António Alçada Baptista. O Alçada, como lhe chamavam os da sua geração e aqueles que, sob a sua visão e protecção, medraram. Nunca ouvi alguém dizer mal dele. Parece pouco. É imenso, habitando Alçada Baptista em Portugal, imerso no meio intelectual lisboeta, ele, um burguês beirão civilizadíssimo. E católico. Deu (literalmente) a Moraes e o Tempo e o Modo à cultura portuguesa da segunda metade do século XX (e ainda a sua obra literária, ensaística, memorialista). Só por isso merecia nome de avenida. Seria bonito: Avenida Alçada.

António Alçada Baptista (1927 - 2008

António Alçada Baptista (1927 - 2008

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