Machos em perigo

by manuel margarido

Na próxima terça-feira, 25 de Novembro, o ARTE (Canal que a TV Cabo agora ZON passou do ‘pacote clássico’ para o pacote ‘funtastic‘, como se o canal franco-alemão não fosse um bem de primeira necessidade) apresentará, em horário nobre, um documentário exactamente com este título: “Machos em Perigo“. A pesquisa apresentada (parece que contundente) não constitui nenhuma revolução no conhecimento e pode antecipar-se o seu conteúdo em artigo publicado no Le Monde de hoje. Mas afirma-se que concretiza de forma alarmante as evidências que atribuem a algumas substâncias químicas introduzidas nos hábitos de consumo e no meio ambiente, uma grave responsabilidade na redução quantitativa e qualitativa do esperma humano. Se considerados individualmente, e seguindo as práticas aceites, estes compostos (pesticidas, ftalatos, bisfemol A etc., amplamente utilizados em produtos de grande consumo) não ultrapassam, nas análises efectuadas, as doses diárias toleradas. O problema parece estar na combinação entre eles. Um cientista entrevistado no documentário, após haver medido as consequências da exposição de um rato a três substâncias químicas, resume a questão a uma fórmula assustadora: “0+0+0=7“. Niels Skakkebaek, director de investigação no Hospital Universitário de Copenhaga é categórico: “Os problemas do aparelho reprodutor masculino são, hoje, potencialmente tão graves como o aquecimento climático.” Recorde-se que, nas últimas décadas, os países industrializados observam uma diminuição de cerca de 50% no número e na qualidade dos espermatozóides, a duplicação da incidência do cancro dos testículos e de malformações genitais nos machos humanos (sendo que os répteis, peixes e batráquios são as espécies mais severamente atingidas). Parece que tudo se concentra em parte significativa, em torno dos plásticos, das embalagens alimentares, dos próprios biberons. É portanto muito difícil escapar ao problema. Será?

Pode duvidar-se que Portugal seja um país industrializado  na plena acepção do termo. Talvez se encontre aqui a explicação para uma dúvida que sempre me assaltou, nos planos fiosófico e da higiene íntima: por que raio é que as inglesas, as suecas, as dinamarquesas, as alemãs chegam ao Algarve e aterram nos braços do Zezé Camarinha? Resposta: porque o gajo é bioquimicamente mais puro.

'Venham, venham, eu cá sou do Zezé!'

'venham cá 'parigas, eu sou do Zezé'