Poesia Portuguesa (VI) – António Osório

by manuel margarido

Em Setembro de 2006 publicou a Assírio & Alvim o livro Casa das Sementes – poesia escolhida, do poeta (e advogado, agricultor, figura ‘renascentista’), António Osório. Com capa de Mário Botas (um belíssimo retrato do escritor), o volume, como o nome indicia, reúne a escolha que o autor entendeu fazer, no conjunto da sua própria obra. Temos, deste modo, uma antologia que percorre quase toda a obra de António Osório, desde A Raiz Afectuosa (1972) até Libertação da Peste (2002), com uma muito interessante e divertida auto-entrevista a iniciar o volume, recuperada de Décima Aurora (1982). Sobre Casa das Sementes foi feita, por Eduardo Pitta, análise crítica mais que estimulante, no enquadramento e percepção da importância do escritor e do livro, logo após sua publicação. E que se pode ler no blogue Da Literatura. Aqui se deixa um poema (muito do meu gosto) de Felicidade da Pintura, segunda parte do livro O Lugar do Amor (1981).


UM SENTIDO


Porque há um sentido

no lírio, incensar-se;

e no choupo, erguer-se;

e na urze arborescente,

ampliar-se;

e no cobre, primeira cura,

que dou à vinha,

procriar-se.


E outro, pressago,

sentido há na memória,

explodir-se.

E outro, imensurável,

no amor, entregar-se.

E outro, definitivo,

na morte, render-se.

António Osório, Casa das Semantes – poesia escolhida, p. 140, Assírio & Alvim, Lisboa, 2006.

eternity © Mariah, Olhares, fotografia online

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