Blog Digest (2)

by manuel margarido

Alguns posts, recolhidos esta semana na blogosfera, que pedem atenção e gratidão.

No Provador de Venenos, (creio que publicado originalmente no Jornal de Negócios) João Pinto e Castro desenvolve opinião tão estimulante como polémica sobre a questão, incontornável nestes dias, da avaliação dos professores. Obrigado por ir contra a corrente.

Ana Cristina Leonardo, no seu Meditação na Pastelaria, escreve um post delicioso, com dois links que seriam hilariantes, não fossem também tristes. Crie-se algum suspense: sob o título E ninguém os interna…, aborda as directivas comunitárias sobre espécies hortícolas e frutícolas; e a notícia da proibição de distribuir frutas e legumes, imposta ao Banco Alimentar contra a Fome, em nome dos ‘parâmetros da U.E.’. Obrigado pelas gargalhadas. Tristes gargalhadas, é certo.

Quem diria que Barack Obama escreveu poemas na juventude? Claro, todos escrevemos, por que não ele? Certo é que foram ‘encontrados’ pela New Yorker, que os publicou e comentou. Atento, Eduardo Serra Lopes deles dá notícia no Casa dos Poetas, e edita-os em português, com tradução de Tiago Nené. Ainda por cima não são nada ‘beras’, os dois poemas. Obrigado pela descoberta.

Rui Bebiano dá conta da morte de João Martins Pereira, no Caminhos da Memória, em notável artigo (Uma Lição de João). Conheci a obra de João Martins Pereira naturalmente mal, na juventude borbulhenta, mas ainda comprei No reino dos falsos avestruzes, na pequenina livraria da Assírio, no defunto Terminal – quem se lembrará? – Li o livro e só pesquei perplexidades, claro. Mas percebi que  era pessoa com pé na realidade, e outro na utopia. Uma raridade, portanto. Alguém ter-se lembrado de registar dignamente o óbito deste pensador de esquerda, que, apesar da heterodoxia (ou por causa dela) era muito estimulante, deve ser assinalado. Obrigado pela memória.

Lutz Brückelmann, autor do excelente quase em português, também tem memória. Num post datado de 11 de novembro, recorda a passagem dos 90 anos sobre o fim da I Guerra Mundial, a drôle de guerre. O texto é breve, contundente e introduz uma impressionante (adjectivo de Lutz, que subscrevo, acrescentando que estamos perante uma obra que espelha magistralmente a tragédia da guerra) galeria de desenhos de Otto Dix, soldado sobrevivente ao conflito, que pode ser descarregada em pdf. a partir do post. Obrigado pelo achado, e por tê-lo partilhado.

Termine-se com um post que, não sendo desta semana (é de Agosto e, aparentemente, o último do Letra de Forma) dá gosto, pela forma apaixonada como Augusto M. Seabra fala de um disco. Neste caso as Sinfonias nº38 “Praga” & nº41 “Júpiter”, de Mozart, interpretadas pela Freiburger Barockorchester, dirigida por René Jacobs, em edição da Harmonia Mundi. Obrigado pela contagiante paixão.

desenho nº 26 do álbum Der Krieg, de Otto Dix

desenho nº 26 do álbum Der Krieg, de Otto Dix