Sócrates, o ‘Magalhães’ e o cigano.

by manuel margarido

Na cimeira Ibero-Americana, o primeiro-ministro de Portugal dedicou entre seis a dez minutos (conforme as fontes) à promoção do ‘computador português’ Magalhães. E não foi de modas, afirmando tratar-se do “primeiro grande (sic) computador ibero-americano”, acrescentando que é “uma espécie de Timtim: para ser usado dos sete aos 77 anos(sic). Não sei o que pensaram da extraordinária comparação alguns generais Tapiocas e Alcazares presentes na cumieira. Mas sei, apesar da pequenez da fotografia, que o esbugalhado ar de felicidade de Sócrates tem ao seu lado o compungido rosto de Luís Amado. No lugar dele eu também estaria. Ouvir o chefe proclamar que todos os seus assessores usam diariamente o ‘Magalhães para (sic) o seu trabalho‘ deve deixar indisposta uma alma civilizada. E sei que, de computador em riste, afirmar  que o mesmo “foi pensado para crianças e por isso é resistente ao choque. O Presidente Chávez já o atirou ao chão e não o conseguiu partir(sic, sic, sic) é conversa de vendedor de tachos e panelas.

*

Quando era miúdo, ia à terra. Uma vez por mês havia a feira do Pinhal Novo, onde um cigano, Paco de seu nome, vendia roupa interior feminina. Os argumentos eram imbatíveis. “Olha a bela cueca ‘azul ciél’, resiste uma vida, a minha filha usa, a minha mulher usa, a minha mãe usa, é a melhor cueca que podem encontrar.” Os mesmos argumentos exibia o cigano Paco que o primeiro-ministro Sócrates. Com uma não dispicienda vantagem para o Paco, no terreno da honestidade: estava a vender artigo novo no lugar próprio.

'é azul ciél'

'é azul ciél'

PS – O cigano Paco é o meu modesto contributo para a existência de um Joe the Plumber cá no torrão.