É conhecido o amor que os britânicos têm pelo landscape, pela paisagem entendida num sentido lato, identitário, onde se dá valor às pedras, aos muros, às colinas e à sua forma, ao cromatismo das estações, a ruínas a que chamam ‘castelos’, que estão lá porque ‘devem estar, sempre estiveram’. Bem sei da barbaridade urbana (e rural) que a Revolução Industrial introduziu na paisagem urbana – e mesmo rural – da Ilhas. Barbaridade humana, também. Com a ascensão das classes médias ao centro do tecido social, o que veio à tona foram afirmações de múltiplas formas de ser, de pensar, de se identificar. Mas, na teia complexa das sociedades ocidentais, os britânicos guardam um acrisolado afecto pela sua paisagem. É-lhes uma herança viva. No ano passado foi lançado o concurso de fotografia Take a View – Landscape Photographer of the Year, com categorias (bizarras), dirigido a fotógrafos amadores e com resultados por vezes admiráveis, que se podem ver no site do Take a View. Esta fotografia faz parte do lote das 15 melhores do concurso de 2008, que pode ser apreciado na galeria colocada online. Escolhia-a pela combinação de cor e luz, pelo equilíbrio compositivo, claro, mas sobretudo pela notável harmonia entre a velha árvore e os geradores eólicos em fundo (curioso: os geradores eólicos eram protagonistas da fotografia vencedora do ano passado). Tradição e modernidade. Mas o mais notável é a vedação. Havia vedações daquelas, em Portugal (onde, aliás, se pode fazer, e faz, excelente fotografia de paisagem, desde que se desvie a lente de sacos de plástico esvoaçantes ou de carcaças de automóveis tombadas onde calha). Havia vedações daquelas, repito. Alguma norma da UE deve ter dado cabo delas.