The Great American Songbook (XIII) – The Nearness of You

by manuel margarido

Ninguém pode negar a existência surda de um cenário transformado em private joke (mais correcto, deadly joke), que prevê o assassinato de Barack Obama antes das eleições presidenciais dos E.U.A., ou após as mesmas. O imaginário é poderoso, e Obama congrega, como talvez nenhum outro, os fantasmas de Robert Kennedy e de Martin Luther King Jr. Bem, nisto os americanos não brincam, quando se trata de coisas de estado (não leram os sinais que prenunciavam Columbine e outros acontecimentos deste calibre), mas aí o campeonato da vigilância era outro). Em qualquer dos casos, trata-se do mesmo padrão: adolescentes patologicamente investidos de ódio, organizam planos de mass murdering. Por vezes levam-nos a cabo. No caso concreto, a história reveste-se de contornos de um racismo sinistro, culminando com a morte do candidato democrata. Como sempre, lá estão os códigos dementes, os planos que obedecem a ‘sinais’ e ‘desígnios’ que só têm lugar em cabeças perturbadas. No imaginário colectivo, aposto que se formulam hipóteses de tentativas de assassinato organizadas por grupos ideológicos, poderes obscuros, poderosas forças que se sentiriam ameaçadas pelo ‘preto’. A realidade encarrega-se de desmentir estas ‘teorias da conspiração’. Importa não esquecer que não só os Kennedy e King foram mortos. Antes deles (e só invoco a memória) Lincoln, mas também, Gerald Ford (duas vezes), Ronald Reagan foram alvo de atentados. Em todos os casos estivemos perante actos isolados, perpretados por pessoas mentalmente doentes. Convém manter isto presente. Porque são os cenários mais improváveis, as pessoas mais anónimas, os mais capazes de causar estragos. Barack Obama deve ser mantido afastado das massas. O pior é que ele tem a obrigação – e neste momento da história essa obrigação é incontornável – de se manter próximo delas. Poque o povo, mais que nunca, deseja um Presidente próximo dele.

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The Nearness of You. Outra canção imortal, da autoria de Hoagy Carmichael e Ned Washington teve um ror de intérpretes a servi-la. Aqui, a grande Sarah Vaughan, numa interpretação contida, mas cheia de sentimento, que escorre pela sua voz, pelas maravilhosas cambiantes da interpretação.