Novos poetas (XIV) – José Miguel Silva

by manuel margarido

Enquanto absorvo a chegada do número zero da Índice, e o segundo número da criatura, das quais falarei em breve, retoma, ainda, a Telhados de Vidro (o seu décimo número) e o primeiro de três poemas de José Miguel Silva (1969) que nela se publicam, sob o mesmo título (Volta ao Mundo).

VOLTA AO MUNDO

1.

Voltemos a isto, ao cálculo dos danos

na máquina do mundo, à impotência do riso

contra tudo o que não sabemos mudar:

a morte, o egoísmo, o levadiço coração

humano. Porque não há mais nada (ok,

há o amor – vai-te foder) e nos negócios

da razão o pessimismo é a moeda

do momento. Regressemos ao ruído,

à sombria comissão liquidatária

desta fábrica de trapos coloridos.

Se não há melhor emprego para a culpa

e os domingos custam dias a passar.

José Miguel Silva, in revista Telhados de Vidro nº 10, p. 23, Averno, Lisboa, Julho de 2008

CÓDIGOS © Paulo Madeira, Olhares, Fotografia online

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