As Folhas Ardem

a poesia do mundo. o mundo da poesia. incêndios e queimadas.

Tomates contra o cancro

Não, não é para levar para a brejeirice. E daí, quem quiser que leve. No Reino Unido foram desenvolvidos tomates ‘trangénicos’ que, asseguram os cientistas do John Innes Centre, em Norwich, previnem o cancro (é uma forma de dizer. Eles explicam a coisa de forma mais elaborada). Nada que não se ‘soubesse’ já, as virtudes da dieta alimentar Mediterrânea. Mas ‘transgénicos’? E agora? Em que ficamos? Fundamentalistas ambientais ou fundamentalistas da saúde?

Mas lá que são uns bonitos tomates, lá isso são…

'Eu cá faço bem... mas sou transgénico'

'Eu cá faço bem... mas sou transgénico' © John Innes Centre

The Great American Songbook (XII) – Someone to Watch Over Me

Quase tudo o que se diz, nesta altura, no final de campanha para as presidenciais dos E.U.A., é repetitivo, exaustivamente ‘martelado’, até produzir soundbites que se alojem no subconsciente do eleitor. Suspeito, aliás, que o ruído intenso da corrida eleitoral gerado pelas candidaturas, pelos media, seja menos importante para o americano comum que as incertezas do presente, do futuro próximo. Talvez McCain tivesse uma boa linha estratégica numa abordagem mais serena, securizante, mesmo paternalista. Infelizmente estava do lado contrário da vedação. Não podia nem pode dizer que vem tomar conta das pessoas.

*

Someone to Watch Over Me. De novo a imparável dupla Gershwin, George e Ira, que escreve, em 1926 este standard para o musical Oh, Kay!. Uma canção memorável, que teve mais intérpretes consagrados que provavelmente qualquer outra do G.A.S.. Aqui é Frank Sinatra, no filme Young at Hearth, sentado ao piano, a cantar, a fazer olhinho a Doris Day. A representar com cada músculo do rosto. Raios partam tanto talento!

Novos poetas (XIV) – José Miguel Silva

Enquanto absorvo a chegada do número zero da Índice, e o segundo número da criatura, das quais falarei em breve, retoma, ainda, a Telhados de Vidro (o seu décimo número) e o primeiro de três poemas de José Miguel Silva (1969) que nela se publicam, sob o mesmo título (Volta ao Mundo).

VOLTA AO MUNDO

1.

Voltemos a isto, ao cálculo dos danos

na máquina do mundo, à impotência do riso

contra tudo o que não sabemos mudar:

a morte, o egoísmo, o levadiço coração

humano. Porque não há mais nada (ok,

há o amor – vai-te foder) e nos negócios

da razão o pessimismo é a moeda

do momento. Regressemos ao ruído,

à sombria comissão liquidatária

desta fábrica de trapos coloridos.

Se não há melhor emprego para a culpa

e os domingos custam dias a passar.

José Miguel Silva, in revista Telhados de Vidro nº 10, p. 23, Averno, Lisboa, Julho de 2008

CÓDIGOS © Paulo Madeira, Olhares, Fotografia online

CÓDIGOS © Paulo Madeira, Olhares, Fotografia online