As Folhas Ardem

a poesia do mundo. o mundo da poesia. incêndios e queimadas.

Welcome to Elsinore – cinco anos

Parabéns à Carla Carvalho, A.K.A. Carla de Elsinore, pelo quinto aniversário de um blogue que merece respeito pelo prazer que nos dá. Welcome to Elsinore. Onde o que mais admiro será a dimensão autoral. Depois a irreverência e a juvenil idade, o jogo entre o lúdico, o estético, o peso e a leveza. É há coisas tão bonitas como esta, que não resisto a ‘gamar e copiar’. Sim, vou publicar um post de outro blogue, em vez de fazer um hiperlink. É contra as regras? Estou-me nas tintas. Espero que a autora não me leve a mal. Porque é uma forma de dizer: gostei tanto que o achei como meu.

(publicado em 11 de Outubro no blogue Welcome to Elsinore)

Procrastinação

© Carla de Elsinore (Alentejo, AGO/2008)

© Carla of Elsinore (Alentejo, AGO/2008)

Pela manhã sentava-me nas tábuas frias da ponte observando o espectáculo das trutas a engolirem libelinhas coloridas, duas a duas, em dia de acasalamento. De um golpe, sem compaixão. Ploc. A puta da máquina estava outra vez avariada depois de ter passado um mês de férias na Canon. Who gives a fuck? Era Outubro e haveríamos de passar o resto do dia na nossa praia, adormecendo ao sol e bebendo caipirinhas – que não é tempo de morangos – antes de anoitecer, no barzinho escondido. O mar grande era todo meu e nem a gruta parecia um lugar estranho. Tudo distante agora e, afinal, nem passaram os dias suficientes para o gajo que dizem que fez o mundo repetir a proeza.

Fica claro porque trouxe este post para as folhas ardem? Porque tinha de ser.

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Fotografia do Dia (X) – A China e Hu Jia. Ainda.

Em homenagem, a Hu Jia, a metafórica imagem de como deve ser a vida, o estado de espírito, o ‘abismo’, de quem luta pelos Direitos Humanos na República Popular da China. A fotografia, repito, é uma metáfora. A realidade nem sequer convoca sinais de beleza.

(fotografia publicada no inevitável The First Post).

Shall I overcome?'

Shall I overcome?

Samat Hasan, walks a tightrope in Zhangjiajie, Hunan province, China

A Índia na Lua (2)

Ao ler fragmentos acessíveis dos livros hindus antigos, como o mais antigo deles, o Rig Veda, o ‘Livro dos Hinos’, não  é possível deixar de se sentir a vigorosa aventura humana perante o extraordinário arco civilizacional que se completa com a missão da Índia à Lua. Leia-se este ‘hino’ à criação do mundo, escrito cerca de 1200 a.C..

TAPAS, O CALOR CÓSMICO

1.    Ordem e verdade nasceram do calor quando este explodiu.

Daqui nasceu a noite; desse calor nasceu o oceano encapelado.

2.    Do oceano encapelado nasceu o ano, que ordena dias e noites, governando sobre

tudo o que pestaneja.

3. O Ordenador colocou em lugar devido o sol e a lua, o céu e a terra, a dimensão intermédia do espaço,

e por fim a luz do sol.

Tradução: Manuel João Magalhães, in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o futuro, p.36, Assírio & Alvim, Lisboa, Agosto de 2001.

A Índia na Lua (1)

«Cesse tudo o que a Musa antiga canta,

Que outro valor mais alto se alevanta»

Isto escrevia Camões n’ Os Lusíadas. Pois cesse o incensar da viagem do Gama desbravando a rota da Índia. Posto que esta nação, este quase sub-continente, acaba de iniciar a jornada (não tripulada, é certo) do caminho celeste para a Lua (já descoberto, também é certo). A Índia, com 1.150 milhões de habitantes (arredondando, já se vê), detentora do 4º maior Produto Interno Bruto do mundo o qual, quando dividido per capita, tomba fragorosamente para 165º (num raro exemplo de equidade na distribuição da riqueza) foi, repete-se, à Lua. Talvez para deixar o Paquistão roído de inveja. Talvez para se distrair dos problemas que enfrenta no trivial mundo terreno. Onde largos milhões lutam todos os dias para desbravar o rumo impossível para alcançar a sobrevivência.

'tás com a cabeça na Lua?'

'tás com a cabeça na Lua?'

Damcherra, India: Labourers manouvre a pontoon of bamboo to market using the current of a river
Photograph: Bapi Roy Choudhury/AFP

The Great American Songbook (XI) – Blue Moon

A pedido de algumas famílias (entendidas em modalidades várias), tentarei cumprir (parcialmente, agora) a promessa de associar diariamente o decurso da campanha eleitoral para a Presidência dos E.U.A. a alguns dos temas do Great American Songbook. Creio que, a 11 dias do acto eleitoral, a diferença (que oscila entre 7 e os 11 pontos, de acordo com as sondagens mais credíveis) já não deixa dúvidas. Só uma extraordinária ocorrência poderá impedir a eleição de Barack Obama. Um acontecimento raro, algo que ocorresse numa noite de Blue Moon.

*

1934. Richard Rodgers e Lorenz Hart (já presentes nesta listagem evocativa) escrevem uma balada que se tornaria um standard do Jazz, e uma iguaria refinada por muitos intérpretes. Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Billie Holiday, Dean Martin, Django Reinhardt, Frank Sinatra. Até Amália Rodrigues a cantou, numa versão muito bonita. Porque não ouvi-la na voz (inesquecível, quando no auge, antes da fama o devorar) de Elvis Presley?