The Great American Songbook (X) – Over the Rainbow

by manuel margarido

Quase 48 horas após o último debate na corrida para as presidenciais americanas, já tudo foi escrito, ou dito. Não há fonte que não tenha dado a vitória a Barack Obama. Não há artigo, peça televisiva, coluna de opinião, blogue, que não se refira ao episódio ‘Joe the Plumber’, personagem trazida para o debate por John McCain de forma teatral (e melhor conseguida do que se pensa). Aliás, durante a primeira meia-hora, McCain esteve no seu melhor. E este foi o seu debate mais forte. To make or break, lembram-se? Mas, com o decurso dos minutos, tornou-se evidente a verdadeira vantagem de Obama: pode permitir-se a não dizer grandes coisas, pode dar-se ao luxo de apenas debitar, com estilo, as suas ideias. A diferença está toda na sua mais que convincente imagem, aliada às ideias, numa conjunção virtuosa. A diferença entre um tipo que faz a diferença e um tipo que se debate com a semelhança. Obama já está noutra esfera. A conjuntura económica faz o resto. No final, o director da campanha republicana abanava a cabeça. Perguntaram-lhe se a performance de McCain chegava para ganhar. «Sim», disse. E acrescentou, significativamente: «Chega para ganhar o debate». Nem isso. Para MaCain a vitória é, agora, um pote de ouro no fim do arco-íris.

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Over the Raibow. Somewhere, no final dos anos 30, Harold Arlen e E.Y. Harburg escreveram o tema para o filme O Feiticeiro de Oz, um clássico que vingou na voragem do tempo para chegar ao que hoje todos sabemos: uma conjunção virtuosa de história, encantamento, música e muita Judy Garland. E esta é a canção dela, tal como ela é, em certa medida, esta canção.